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02/12/2019 | Falta de mão de obra qualificada (Editorial) - O Estado de S. Paulo

Mesmo com crescimento modesto da economia, de cerca de 1% ao ano, o Brasil já enfrenta o problema da falta de mão de obra adequadamente qualificada para ocupar os postos que os diversos segmentos produtivos oferecem. Estudos recentes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), vinculado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostraram que o Brasil precisa qualificar 10,5 milhões de trabalhadores para o setor industrial nos próximos quatro anos. Pesquisa da empresa de recursos humanos Korn Ferry, por sua vez, mostra que já em 2020 faltará 1,8 milhão de trabalhadores preparados para preencher vagas destinadas a funções mais especializadas. A despeito da existência de 12,4 milhões de desempregados e de 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade, já se fala em “apagão” de mão de obra qualificada, como mostrou reportagem do Estado.

A desejada recuperação da economia, com crescimento mais rápido do Produto Interno Bruto (PIB), tornará ainda mais agudo o problema da carência desses trabalhadores. A necessária modernização do parque produtivo para acompanhar os novos padrões da produção mundial imporá exigências de qualificação ainda mais restritivas aos profissionais, agravando o problema. O crescimento da economia poderá ser afetado por esse novo gargalo, que se acrescenta a outros que inibem a competitividade do produto brasileiro, como a precariedade de infraestrutura e os custos de produção.

“O Brasil vive uma severa carência de mão de obra especializada”, diz o presidente do Korn Ferry Institute, Jean-Marc Laouchez. O problema se agravará. A pesquisa prevê que o déficit de trabalhadores qualificados crescerá em média 12,4% ao ano, de modo que em 2030 haverá 5,7 milhões de postos vagos ou ocupados por trabalhadores sem a competência adequada. Sem a mão de obra especializada para atuar em áreas estratégicas para seu crescimento, as empresas poderão perder contratos ou oportunidades de expansão da produção, mesmo com o aumento da demanda, daí resultando a redução da velocidade de crescimento do PIB.

Três setores sofrerão mais com a falta de trabalhador qualificado: tecnologia, mídia e telecomunicações; negócios e serviços bancários; e manufaturas. No momento, as carências mais óbvias de mão de obra especializada estão nas áreas de desenvolvimento digital e tecnológico das empresas, segundo a pesquisa citada. São profissões novas, em certos casos ainda pouco conhecidas, como segurança da informação, cientista de dados, analista de marketing digital e de desenvolvimento de produtos tecnológicos.

As rápidas mudanças no sistema de produção industrial, por exemplo, tornaram o aprendizado indispensável tanto para os trabalhadores empregados como para os desempregados. Conhecimento tecnológico e habilidades especiais estão entre as exigências da nova qualificação profissional.

É uma mudança mundial. Os países desenvolvidos a enfrentam com eficiência, com a mobilização de recursos para a preparação de mão de obra e o estímulo a investimentos em tecnologia e inovação. No Brasil, setores da indústria, inclusive a CNI, estão atentos às novas necessidades do sistema produtivo. Mas o setor público não parece inteiramente consciente do problema. “A Alemanha estava quase entrando em uma recessão e a primeira coisa que o governo fez foi investir em tecnologia e inovação”, disse ao Estado o professor da Fundação Getúlio Vargas Anderson Sant’Anna. “Aqui, a primeira medida tomada foi cortar os recursos para ciência, tecnologia e educação.”

Alguns analistas privados do mercado de trabalho consideram que as universidades não estão aptas a formar os talentos exigidos pela economia e veem na preparação dos novos profissionais pelas próprias empresas um caminho para enfrentar o problema. Muitas, de fato, já estão fazendo isso. Também o Senai vem procurando preparar trabalhadores na medida das novas necessidades da indústria.

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