• Pontaria Novo Governo
  • BOLETOS ON-LINE
  • coffee news mudou para melhor
  • sindeprestem 2018
  • CONTRIBUIÇÃO PATRONAL 2018

30/10/2019 | Sub ocupação chega a 37%das vagas abertas em quatro trimestres - Valor Econômico

Das 2,4 milhões de vagas criadas entre o segundo trimestre do ano passado e igual período deste ano, 892 mil, ou 37,2%, foram ocupados por pessoas que trabalham menos do que gostariam. Em seis das 27 unidades da federação - Amapá, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Rondônia e Sergipe -, o número de subocupados supera o de demais trabalhadores entre os postos gerados. No Rio, 90,7% das vagas abertas no período recente eram subocupadas. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e foram levantados para o Valor por Thiago Xavier, Rayne Santos e Lucas Assis, da Tendências Consultoria. 

“Os dados mostram o quanto a taxa de desemprego é insuficiente para compreender o mercado de trabalho, que foi profundamente afetado pela crise longa e profunda e pelo contexto atual, de reação muito limitada”, diz Xavier, lembrando ainda dos desalentados - pessoas que desistiram de procurar emprego -, da informalidade e dos trabalhadores ocupados em posições abaixo de sua formação educacional. Os subocupados - pessoas que trabalharam menos de 40 horas na semana e gostariam de trabalhar mais - somavam 7,4 milhões no segundo trimestre deste ano, 3 milhões a mais do que no mesmo período de 2014, antes de a crise chegar com força ao mercado de trabalho. Eles representavam no segundo trimestre deste ano 7,9% da população ocupada total (93,3 milhões). Esse percentual sobe a 12,9% entre trabalhadores por conta própria, 14,7% entre empregados do setor privado sem carteira assinada e 19,1% entre trabalhadores domésticos.

Jaqueline Gomes, de 37 anos, moradora de Osasco, na Grande São Paulo, é uma dessas trabalhadoras domésticas que está menos ocupada do que gostaria. “Há um ano, eu trabalhava todos os dias da semana, de segunda a sábado”, conta. “Agora deu uma caída e eu trabalho três dias.” Além da redução no número de dias, Jaqueline conta que também não tem conseguido fechar diárias pelos R$ 150 que cobrava antes. Agora, chega a aceitar faxinas por até R$ 100. “Eu conseguia tirar R$ 2.500 por mês, hoje consigo fazer R$ 1.200, R$ 1.300, chorando. E nisso vão R$ 400 só de passagem”, diz a diarista, mãe de dois filhos. Do total de subocupados, 31% trabalham nas chamadas “ocupações elementares”, como profissionais de limpeza, alimentação, construção e manutenção. Outros 26% são trabalhadores de serviços e vendedores do comércio. Cerca de 66% são pretos ou pardos e 54% são mulheres. O rendimento médio dos subocupados era de R$ 826 no segundo trimestre, abaixo do salário mínimo (R$ 998) e menos da metade da renda média dos trabalhadores em geral (R$ 2.290). “A subocupação tende a estar relacionada com ocupações de menor produtividade agregada”, observa Rayne. “São ocupações que em geral demandam menor qualificação, em termos de anos de escolaridade, e trabalhadores que têm maior dificuldade de se inserir no mercado de trabalho e de trabalhar as 40 horas desejáveis.”

Além dessa característica estrutural, há um elemento conjuntural na subocupação observada no mercado de trabalho. Embora sejam menos de 10% do total de ocupados, os subocupados chegaram a representar a totalidade das vagas geradas durante a crise e mais de 90% dos postos criados no início da recuperação, a partir do terceiro trimestre de 2017. Agora, esse percentual está em 37,2%, ainda acima do período pré-recessão. “Estamos ainda num momento de muita incerteza no mercado de trabalho”, afirma Maria Andreia Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “A economia está numa rota de crescimento, mas o empregador ainda não vê demanda suficientemente forte para colocar o trabalhador numa jornada maior.” Entre os trabalhadores domésticos, a mudança de legislação no setor - que estimulou a troca de mensalistas por diaristas - e o orçamento ainda restrito das famílias explicam o crescimento da subocupação, diz a economista. Já para os trabalhadores por conta própria, o empreendedorismo por necessidade explica muitas vezes as poucas horas trabalhadas. “É o auxiliar de pedreiro que só está trabalhando quando aparece trabalho, a dona de casa que está vendendo bolo no fim de semana, porque não tem demanda para vender a semana toda”, exemplifica a técnica do Ipea.

Fruto da atividade ainda fraca, a subocupação acaba retroalimentando a morosidade da economia. “Quem trabalha menos do que poderia gera uma renda menor, contribuindo para uma redução do consumo e isso se reflete diretamente sobre a economia local”, diz João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele explica que, no caso do Rio, contribuem para o elevado nível de subocupação entre as vagas abertas no período recente uma economia muito dependente do setor de serviços e que perdeu investimentos no setor de petróleo, além do efeito da crise fiscal sobre um Estado com grande número de servidores públicos. “É uma economia que vem muito mal há alguns anos, não é surpresa que só consiga gerar empregos precários.” Para Maria Andreia, embora uma parcela dos subocupados possa ser composta por trabalhadores intermitentes, a criação dessa categoria pela reforma trabalhista não explica o elevado percentual de pessoas trabalhando menos do que gostariam entre as vagas geradas no momento atual. “A reforma trabalhista simplesmente trouxe alguns desses trabalhadores da informalidade para a formalidade, mas eles já trabalhavam menos horas, mesmo antes da reforma”, afirma. Saboia lembra que, entre os intermitentes, há os que trabalham assim por opção e aqueles que tiveram que aceitar uma vaga sob essa condição porque foi o que apareceu, mas gostariam de trabalhar mais horas - apenas estes são considerados subocupados

Além disso, segundo o professor da UFRJ, o volume de intermitentes ainda é relativamente pequeno. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), das 777,1 mil vagas com carteira criadas desde novembro de 2017 - mês em que a reforma trabalhista entrou em vigor - 108,2 mil são intermitentes, ou 14% do total. Embora a subocupação ajude a reduzir a taxa de desemprego, ela também deve contribuir para que esse indicador continue a cair muito lentamente. “Mesmo que a economia comece a crescer de forma mais rápida, primeiro o trabalhador subocupado vai passar a trabalhar mais horas, para depois o empregador abrir uma nova vaga de trabalho”, diz Maria Andreia. Essa também é a avaliação da Tendências. “O mercado tem que gerar ocupação para quem está trabalhando menos do que gostaria, para quem está na fila do desemprego e para quem está em casa, mas vai voltar à fila do desemprego, isso limita a queda da taxa de desocupação”, diz Xavier. Ele estima que a taxa de desemprego média deverá ser de 11,8% neste ano, caindo a 11,7% em 2020.

Fatos e Notícias

Home Logo01
Home Logo02
Home Logo03
Home Logo04
Catho
Up Plan Logo 02