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28/10/2019 | A saga do desenvolvimento (Editorial) - O Estado de S. Paulo

Não é fácil empreender num mundo em que as tecnologias aniquilam profissões com a mesma velocidade que criam outras – tanto mais num país abalado pela recessão e pela corrupção. Para quem está começando, a exposição Pioneiros & Empreendedores, promovida pelo Sebrae no Palácio dos Campos Elísios em São Paulo, é uma imersão balsâmica.

A palavra “empreender” está carregada do mesmo sentido etimológico que “compreender”, “aprender”, “surpreender”, do latim prehendere (prae - “antes” e  hendere “pegar”), fruto da raiz protoindo-europeia hend- dos tempos em que a empresa humana nascia da agricultura e do pastoreio –, cujas duas conotações, “tomar pela força” e “erguer pela força”, sinalizam a distinção entre o bom e o mau empreendedor.

O verdadeiro empreendedor é empregador, não predador do trabalho alheio, porque sabe apreciá-lo e paga o seu preço. A ânsia de ganho, a ganância de enriquecer com as riquezas dos outros, que é o espírito do mau empreendedor, é transmutada pelo bom empreendedor na ambição de enriquecer enriquecendo seus próximos. Toda profissão tem seus empreendedores. O hábitat natural do empreendedor é a iniciativa privada, mas ele inspira os empreendedores no serviço público, assim como os empreendedores da cidadania no terceiro setor. Ele não se enquadra nos tipos intuídos por Sergio Buarque de Holanda nas raízes do Brasil, os aventureiros e os trabalhadores, porque é ambos. Ele conquista territórios desconhecidos, cultiva terras virgens, empregando multidões.

É um erro reduzi-lo a “dono do capital”. Se o empreendedor, com seu apreço pela livre-iniciativa e pela propriedade particular, encarna o pensamento liberal, se ele se apreende com o projeto socialista de reduzir todos a operários do Estado, nem por isso se prende ao capitalismo. “A verdade”, como diz o curador Jacques Marcovitch na trilogia que dá o nome à exposição, “é que os empreendedores ultrapassam a condição de meros patrões. Seus negócios geram, além de lucros, empregos; e além de empregos, novas ideias, novos conceitos de negócio, novas formas de gestão e novos produtos e serviços.” 

A exposição o prova. Lá está o primeiro e maior empreendedor nacional, Visconde de Mauá, contador, economista, administrador, legislador e diplomata, criador da primeira estrada de ferro, do primeiro grande banco e da indústria no Brasil; Jorge Street, “empresário socialista”, “poeta da indústria”; Roberto Simonsen, símbolo do empresário esclarecido; Luiz de Queiroz, precursor do agronegócio, que, como Guilherme Guinle, fomentou a pesquisa de ponta; pioneiros, como Ramos de Azevedo (construção civil) ou Leon Feffer (celulose); os que vieram de longe – e do nada –, como o libanês Nami Jafet, precursor da indústria têxtil, ou Francisco Matarazzo, “cuja trajetória vertiginosa veio demonstrar que graças à indústria todos poderiam ser artífices do próprio sucesso”; dinastias, como as iniciadas com Valentim Diniz (Pão de Açúcar), José Ermírio de Moraes (Votorantim), Johannes Gerdau, Roberto Marinho e, claro, Julio Mesquita, que entrou na redação da Província de São Paulo para dar à luz, junto com a República, este O Estado de S. Paulo, cujos legatários protagonizaram momentos decisivos não só da política, como da cultura, a começar pela criação da Universidade de São Paulo.

Lá está ainda a vanguarda de uma revolução silenciosa, as mulheres pioneiras, empreendedoras da esperança, seja a de doentes mentais (Nise da Silveira), deficientes físicos (Dorina Nowill) ou pobres (Irmã Dulce).

“O que aconteceu é tão importante quanto o que está acontecendo e o que vai acontecer”, diz Marcovitch. “A história se conta em três tempos indissociáveis. Não se poderá compreendê-la sem meditar sobre as experiências anteriores, enfrentar os reptos da atualidade e pensar ousadamente o futuro.” Recordar a história desses heróis é o melhor meio para o jovem empreendedor começar a viver a história que vislumbra no horizonte, aquela que deve transformar em realidade.

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