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17/10/2019 | Desigualdade cresce e chega ao maior índice desde 2012 - O Globo

Dados do IBGE revelam que a concentração de renda no Brasil aumentou no ano passado e atingiu seu patamar mais alto desde 2012. A renda do trabalho da parcela 1% mais rica corresponde a quase 34 vezes a dos 50% mais pobres.

O Brasil, que já é um dos 15 países mais desiguais do mundo, conseguiu vera concentração de renda aumentar fortemente no ano passado, de acordo coma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), que trata de todas as fontes de rendimento, divulgada ontem pelo IBGE. Por qualquer medida que se use, os mais ricos ganharam, enquanto os mais pobres perderam renda.

De 2017 para 2018, o rendimento médio mensal do 1% dos trabalhadores mais ricos subiu de R$ 25.593 para R$ 27.744, alta de 8,4%. Já entre os 5% mais pobres, a renda mensal do trabalho caiu 3,2%, passando de R$ 158 para R$ 153.

—O aumento da desigualdade foi muito forte. Não é um processo que está refluindo coma superação da recessão. A rendado trabalho nunca foi tão concentrada

— comentou Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

A pesquisa mostra também que a renda do trabalho dessa parcela mais rica foi 33,8 vezes o ganho dos 50% mais pobres. Nesse grupo, o ganho médio foi de R$ 820.

O Sudeste, a região mais rica do país, convive com o maior abismo salarial. O 1% mais rico ganha o equivalente a 34,4 vezes a renda dos 50% mais pobres, que foi de R$ 971, pouco acima do salário mínimo vigente em 2018, de R$ 954.

Com isso, o Índice de Gini, que mede a concentração de renda (e quanto mais perto de 1, pior), subiu de 0,538 para 0,545, considerando todas os rendimentos das famílias — trabalho, aposentadorias, pensões, aluguéis, Bolsa Família e outros benefícios sociais. É o pior resultado desde 2012.

Uma das razões para o aumento da desigualdade em 2018 foi o mercado de trabalho mais precário. Eram 35,42 milhões de pessoas na informalidade, também o maior número desde 2012.

— A população ocupada vem crescendo, o rendimento vem crescendo, mas essa ocupação vem da informalidade. Por isso esse aumento da desigualdade — afirma Maria Lucia Vieira, gerente da Pnadc. —Os mais pobres acabam sofrendo mais do que aqueles com carteira de trabalho ou os funcionários públicos.

Com o aumento da concentração de renda, o topo da pirâmide no Brasil está se apropriando de uma fatia maior da renda nacional. O 1% mais rico recebe 12,2% de todos os rendimentos no país. Em 2017, essa fatia era de 11,7%. São R$ 34,8 bilhões nas mãos de pouco mais de 2 milhões de pessoas por mês. Já os 10% mais pobres abocanharam bem menos :0,8% damas sade rendimentos em 2018 contra 0,9% em 2017. São 20 milhões de pessoas que ficaram com apenas R$ 2,2 bilhões.

O barbeiro Marcelo Augusto, de 28 anos, improvisou um salão de beleza a céu aberto, usando apenas uma mesa de plástico e um guarda-sol, no Largo da Carioca, no Centro do Rio. Palinha, como é conhecido, mora com os pais, dois irmãos e sobrinhos em Anchieta, na Zona Norte. Segundo ele, o preço dos produtos que usa aumentou em média 40%. Para driblar acrise que afastou a clientela, criou um perfil no Facebook e passou a atender em outros locais nos fins de semana e feriados:

—Agente precisa te rum diferencial. Eu já tenho meus clientes

fixos, que voltam sempre,mas, de um tempo par acá, o movimento caiu.

Pai de dois filhos, Palinha tem planos de montar o próprio salão e aumentara renda familiar. Ele está cursando o ensino médio e espera ser o primeiro da família a conseguir concluir os estudos:

—Ninguém conseguiu terminar, porque acabaram largando para conseguir sustentar acasa. Mas tem que correr atrás, senão agente não sai do lugar, não é?

Sem emprego há quatro meses, o ex-cozinheiro Wallace dos Santos, de 30 anos, resolveu apostar em uma carreira inusitada: ganhar avida fantasiado de Deadpool. Coma ajuda de amigos, conseguiu comprara fantasia, ré plicada que o herói dos quadrinhos usa, e foi para o Centro do Rio divulgar seu trabalho.

— Quero ver se consigo arrecadar algum dinheiro aqui, mas meu objetivo é começar a trabalhar em festas e eventos. Eu nunca fui rico, mas sempre conseguia comprar tudo que eu queria. Hoje em dia, eu estou querendo menos coisas — comenta Santos, que divide as contas da casa onde mora, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com a mãe e a irmã.

REDUÇÃO DO BOLSA FAMÍLIA

Apesar da crise, aparcela de lares atendidos pelo Bolsa Família diminuiu, de acordo coma pesquisado IBGE. Em 2014,14,9% dos lares recebiam o benefício. Em 2018, a parcela baixou para 13,7% dos domicílios, que viram os ganhos caírem.

Já o tatuador Carlos Maciel viu a renda dobrar depois que abriu dois estúdios em Teresina, no Piauí, coma popularização da tatuagem.

— Aumentou minha carteira de clientes e houve a necessidade de contratar mais tatuadores (hoje são 27). Havia uma marginalização da tatuagem. Mas as pessoas começaram a andar de sunga, com os corpos cheios de tatuagens nos reality shows , na internet, e hoje a tatuagem é coisa de família — comenta Maciel, que atende um cliente por dia e tem lista de espera de quatro meses.

Para Daniel Duque, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), o movimento crescente de desigualdade decorre do aumento da concentração da renda do trabalho e da previdência nos últimos anos entre os mais ricos:

— A renda do trabalho está ficando mais desigual, e a previdência está seguindo essa tendência. Os dois corresponde ma 90% da renda domiciliar. A previdência não é igualitária, é mais concentrada entre os mais ricos. O aumento da participação dela aumenta a desigualdade, não diminui.

Para Duque, a desigualdade pode aumentar ainda mais, e um dos fatores negativos pode sera política de não conceder o reajuste real do salário mínimo, que ajudou a reduzir a desigualdade recente.

 

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