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14/10/2019 | Falta interesse por formação em ciências exatas - Valor Econômico

O Brasil é um dos países que menos forma profissionais na área de tecnologia, engenharia e matemática, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apenas 17% das matrículas nas universidades brasileiras são em cursos desses segmentos, o que posiciona o país atrás da China (40%) e Índia (35%). Não bastasse o baixo ingresso, o Brasil ainda registra uma alta desistência nas graduações de tecnologia, que chega a 69%, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Sérgio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom, diz que há três hipóteses para a evasão. A primeira é de que o aluno que passa no vestibular não consegue acompanhar o curso por deficiências na formação no ensino médio. A segunda é que há um problema sócioeconômico, que faz com que, sem ajuda de financiamento estudantil, muitos não consigam pagar todo o curso. Por fim, a terceira causa seria a desatualização das ementas. “Isso faz com que os alunos que já começaram a trabalhar com tecnologias mais atuais se desmotivem”, diz Galindo. 

O estudo da Brasscom mostra ainda uma baixa presença de mulheres e negros comparado com o perfil demográfico do país. Em 2018, 59% dos trabalhadores do setor de TI eram brancos e asiáticos, sendo 22% mulheres e 37% homens. No mesmo ano, 30% eram trabalhadores negros, pardos ou indígenas, sendo 11% mulheres e 19% homens. “Temos que acabar com esse tabu cultural de que TI é coisa para nerd, menino e branco”, diz Gallindo. Considerando os benefícios, o setor de TI paga 2,8 vezes o salário médio do brasileiro. Mariana Barros, 24 anos, está se formando em engenharia da computação. Concluída a graduação, ela já quer engatar um mestrado. “Meu objetivo é me especializar em machine learning”, diz a estudante da UFPE, que voltou de intercâmbio na França, onde fez estágio.

Segundo a Brasscom, as empresas devem investir R$ 345,6 bilhões em tecnologia de transformação digital entre 2019 e 2022. Para casar demanda e oferta de trabalhadores na área, ele diz que seria preciso que o governo fizesse uma ação para aumentar os cursos de formação de grau técnico, de dois anos. Além disso, sugere uma mudança na grade curricular. “O mais quente hoje é a demanda por desenvolvedores de web e mobile”. O ideal, diz, era que já fosse inserido, no ensino médio, profissionalizante e regular, mil horas de ensino de programação.

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