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11/10/2019 | Varejo decepciona em agosto, mas aposta em melhora gradual permanece - Valor Econômico

O varejo ficou praticamente estagnado em agosto, com as famílias contendo despesas em bens duráveis e semiduráveis, e voltou a decepcionar os analistas. Apesar do fraco resultado do mês, a expectativa permanece de melhora gradual do consumo para o restante do ano, com a liberação de recursos das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a recuperação do mercado de trabalho. Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que as vendas do varejo restrito - que abrange oito diferentes ramos do comércio - cresceram apenas 0,1% na passagem de julho para agosto. O varejo ampliado - que inclui os oito ramos e mais as vendas de veículos e material de construção - ficou estável. A mediana das projeções era de alta de 0,3% para ambos os indicadores. 

Pior do que a estabilidade do mês foi a revisão de números anteriormente divulgados. Ontem, o IBGE cortou pela metade o crescimento das vendas do varejo restrito em julho, de 1% para 0,5%. O instituto revisa rotineiramente seus resultados. Desta vez, o motivo da mudança foi o ajuste sazonal, que “reinterpretou” o desempenho daquele mês, que teve mais dias úteis. 

Em agosto, a boa notícia veio do ramo de hipermercados e supermercados, que mostrou alta de 0,6% nas vendas em agosto e evitou a queda do índice geral. Outro destaque positivo para o mês veio das vendas de lojas de departamento e de comércio eletrônico, que somadas avançaram 0,2% em agosto, ante julho, apoiadas na maior demanda gerada pelo Dia dos Pais. Isabella Nunes, gerente da pesquisa do IBGE, disse que a recuperação gradual do mercado de trabalho tem permitido o aumento das vendas em supermercados. O segmento cresce há quatro meses consecutivos, período em que acumulou avanço de 3,8%. Por outro lado, o fato de a recuperação ser centrada em trabalhos informais e precários acaba por limitar o desempenho de outros ramo do varejo. 

“Quando a ocupação cresce, essa nova renda é convertida especialmente para supermercados, sobretudo pelas famílias de baixa renda”, disse Isabella. “Então, a recuperação se concentra nos itens básicos, essenciais, que você não pode deixar de consumir.” As vendas de bens duráveis e semiduráveis pelas famílias ficaram em terreno negativo em agosto. O comércio de móveis e eletrodomésticos, por exemplo, apresentou baixa de 1,5% frente ao mês anterior. A aquisição de vestuário e calçados pelas famílias recuou 2,5%. Os postos de gasolina venderam 3,3% a menos de combustíveis e lubrificantes por essa mesma base de comparação. 

Isabela Tavares, analista da consultoria Tendências, disse que os bens duráveis foram a surpresa negativa no mês em relação às expectativas. “O mercado de trabalho em lenta recuperação e a situação financeira ainda fragilizada das famílias, com o aumento de dívidas, geram essa demora para reação dos bens duráveis, o que deve acontecer de forma mais consistente no ano que vem”, disse Tavares. Olhando para o restante do ano, analistas continuam com perspectivas levemente positivas para o varejo. A consultoria MCM prevê preliminarmente avanço de 0,2% do varejo restrito e de 1,7% do varejo ampliado em setembro, frente ao mês anterior. O mês seria ajudado pela liberação das contas do FGTS e pela realização da “Semana do Brasil”, evento promocional estimulado pelo governo federal. Diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos prevê em relatório que o consumo privado e as vendas do varejo serão ajudados pela inflação baixa (o que impulsiona a renda real) e pela queda dos juros nos próximos meses, ainda que a taxa de desemprego nacional elevada e a confiança ainda combalida dos consumidores possam “limitar o desempenho”. 

O desempenho positivo esperado pela frente pelo mercado também leva em consideração um ritmo favorável de concessões de crédito para os consumidores, especialmente nas modalidades de crédito pessoal e aquisição de veículos. Economistas da Boa Vista alertam, porém, para os riscos de aumento da inadimplência. “A renda cresce pouco, já se nota um aumento do endividamento e do comprometimento da renda, e um ligeiro aumento da inadimplência em algumas linhas, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, o que pode frear a expansão das concessões e as vendas”, avaliaram. A consultoria Parallaxis faz coro com a ideia de que a fragilidade das ocupações geradas no país abre um “futuro incerto” para a sustentabilidade do varejo baseado no crédito. “As condições de tomada de crédito demonstram melhora, apesar de o custo manter-se elevado ante o nível pré-crise. Por outro lado, o rendimento médio real das ocupações não demonstra crescimento, e os empregos criados são de baixa renda”, avalia a consultoria em relatório.

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