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30/09/2019 | Descompasso entre indústria e varejo volta a se acentuar - Valor Econômico

Mesmo a passos lentos, a fraca recuperação da atividade é desigual entre os setores e voltou a acentuar o descompasso entre oferta e demanda. Enquanto, nos 12 meses terminados em julho, o comércio ampliado, que inclui automóveis e material de construção, comemorou vendas 4,1% maiores em volume, a produção doméstica da indústria de transformação encolheu 0,6%.

Já no acumulado de 2019, as vendas do varejo aumentaram 3,8%, ao passo que a atividade do setor manufatureiro praticamente andou de lado, ao recuar 0,1%. Numa comparação de prazo mais curto, o descolamento é ainda maior.

Segundo cálculos feitos pelo economista Fabio Ramos, do UBS, a pedido do Valor, nos três meses encerrados em julho, usando dados com ajuste sazonal, o varejo cresceu 9,1 pontos acima da produção da indústria de transformação. É a maior distância a favor do comércio nessa medida desde outubro de 2011, quando o varejo rodava 9,8 pontos acima da produção de manufaturas.Para analisar a evolução pós-crise da indústria e do varejo, Ramos usou como ponto de partida para os dois setores o período 2012-2014. Ele representa um período em que o crescimento já estava perdendo força em relação a 2010, mas ainda sem recessão, observa. “Foi quando tivemos um platô. A economia estava no fim de um ciclo, mas foi antes de despencar.”

Antes da recessão, o maior descolamento entre os dois setores ocorreu entre o fim de 2011 e início de 2012, quando, com demanda ainda aquecida e real valorizado ante o dólar, a fatia de produtos importados no mercado interno subiu de forma generalizada. No momento atual, afirmam especialistas, as compras externas têm papel secundário para explicar por que o consumo saiu na frente mais uma vez. O ambiente global mais adverso, com acirramento da tensão comercial entre China e EUA e desaceleração nas economias desenvolvidas, reduz o ritmo do comércio mundial e, consequentemente, as exportações industriais, afirmam economistas.

Ainda no cenário externo, a deterioração da crise na Argentina tem impacto ainda mais forte sobre a indústria brasileira, que tem no país vizinho um importante mercado para seus produtos, sobretudo veículos. No Brasil, é típico de períodos de recuperação da atividade que o consumo cresça em velocidade acima da produção, lembra Ramos, do UBS, e o mesmo padrão está se repetindo agora, mesmo com o crescimento frustrando expectativas. “O desemprego está caindo devagar, mas a renda real tem alguma melhora. E, apesar do spread [a diferença entre o custo de captação e as taxas cobradas nos empréstimos] ainda ser enorme, o crédito privado está em franca recuperação”, diz ele. Isso ajuda a alavancar as vendas. Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale também destaca que o crescimento mais baixo da indústria em relação ao varejo foi observado nos últimos dez anos, mas desde a greve dos caminhoneiros, em 2018, essa tendência se acentuou. Depois de 2016, os dois setores começaram a se recuperar lentamente, e em ritmo mais parecido, mas a paralisação dos transportes de carga em maio do ano passado interrompeu essa tendência, diz Vale. “A indústria caiu mais do que o varejo naquela ocasião e levou mais tempo para se recuperar do tombo”, afirma ele.

Depois da greve, acrescenta Vale, entrou em cena a crise argentina, que derrubou as vendas externas brasileiras, especialmente de manufaturados. De janeiro a agosto deste ano, as exportações do Brasil para o país vizinho recuaram quase 40% ante o mesmo intervalo de 2018. Não por acaso, as exportações de bens industriais diminuíram 9,5% em igual ordem. De acordo com Ramos, um setor importante que ilustra o descolamento entre produção e vendas é o automotivo. Nos 12 meses até julho, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias subiu 4,1%, ao passo que as vendas de veículos, motos, partes e peças tiveram salto de 12,5%, impulsionado pela melhora do crédito. A indústria do setor não acompanhou esse ritmo devido ao “efeito Argentina”.

O comércio de veículos também tem sido beneficiado neste ano pelos contratos com locadoras, as chamadas vendas diretas, aponta Nelson Marconi, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV). A importação, mesmo em queda em 2019, também explica outra parte do descolamento entre produção e vendas, afirmou. Citando dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), Marconi observa que o volume importado de automóveis pelo Brasil subiu 18% entre 2017 e 2018. Nos 12 meses até julho deste ano, houve retração de 8%. “Agora, o comércio está vendendo estoques que se formaram a partir de importações, o que não tem efeito positivo sobre a produção”, diz.

O setor farmacêutico é outro com algum descompasso entre vendas e produção, acrescenta Marconi. No ano terminado em julho, as vendas de artigos farmacêuticos aumentaram 6,4%, e a fabricação desses produtos subiu dois pontos a menos. Também neste segmento, a importação subiu no ano passado, com alta de 10,7%, observa ele. Ao contrário de 2011, porém, o movimento de alta das importações não é generalizado, e o varejo não tem fôlego tão expressivo. “Tirando a questão dos automóveis, o setor farmacêutico e o de alimentos, o comércio está relativamente andando de lado”, diz Marconi. Para Vale, da MB, no curto prazo, a dicotomia entre indústria e varejo será mantida, considerando que a recessão na Argentina ainda deve piorar e o cenário internacional vai continuar desfavorável para o setor industrial. Nas estimativas da consultoria, a produção da indústria vai recuar 1,1% neste ano, mas a expectativa é de desempenho melhor em 2020, com alta de 1,8%. Mesmo assim, o segmento deve crescer menos que o comércio, pondera. 

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