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16/08/2019 | Turbulência externa pode tirar 0,2 ponto do PIB este ano - Valor Econômico

A turbulência do cenário externo - com ameaça de agravamento da crise argentina e temor de uma nova recessão global, como resultado da guerra comercial entre China e EUA - é mais um fator de risco para o crescimento da economia brasileira neste e no próximo ano, avaliam economistas.

A MB Associados estima que a desaceleração da economia global pode tirar de 0,1 a 0,2 ponto percentual da alta do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e até 0,5 ponto do avanço da economia em 2020. Para 2019, o maior risco é uma piora da crise argentina e, para o próximo ano, se uma recessão americana se confirmar, avalia Sergio Vale, economista-chefe da casa. "Se não houver nenhuma sinalização do futuro governo argentino de uma normalização, de uma busca por fazer reformas na economia, vamos ver a atividade do país vizinho afundar ainda mais do que imaginávamos, afugentando investimento e consumo e, consequentemente, a importação de produtos brasileiros", afirma Vale.

Nos EUA, preocupam o nível de endividamento das empresas não financeiras e a guerra comercial, que não deverá ter solução rápida, diz o economista. "A tendência é o comércio internacional continuar caindo e isso afugenta investimento, porque traz incerteza geral sobre o crescimento futuro, assim o mundo inteiro sofre com um crescimento mais fraco", diz Vale, lembrando que as projeções de avanço da economia em toda a América Latina estão em queda. A boa notícia, segundo o analista, é que o país está "fazendo o dever de casa" com as reformas estruturais, que tendem a atrair investimentos, na contramão da tendência internacional.

A estimativa da MB Associados é, por ora, de um crescimento de 0,9% para 2019 e de 2% para 2020, que poderá ser revisada para 1,5%, segundo Vale, caso uma recessão americana de fato se confirme. Quanto ao efeito da turbulência internacional para a política monetária, o economista avalia que, se o dólar de mantiver ao patamar atual, em torno de R$ 4, não deve haver grande impacto em preços. "Num pior cenário, de câmbio a R$ 4,20, a inflação poderia terminar este ano em 4%, patamar ainda bastante razoável e que não deve fazer o Banco Central alterar significativamente sua posição", diz. Essa também é a avaliação de Fabio Ramos, do UBS. "A dicotomia é que há uma pressão inflacionária via câmbio, mas uma pressão em sentido contrário via preços das commodities e crescimento econômico", diz Ramos.

Assim, o saldo da piora de ambiente global pode ser neutro ou até desinflacionário, o que permitiria ao BC levar a Selic a 5,25% no fim do ano, no cenário do UBS, e 5% no cenário da MB. "Como os outros instrumentos anticíclicos ou não estão disponíveis (como no caso da política fiscal) ou não afetam a economia no timing desejado (agenda de concessões e privatizações), a queda dos juros passa a ser a principal variável de ajuste no curto prazo para lidar com as decepções de atividade", avalia em relatório Igor Velecico, do Bradesco.

Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências Consultoria, lembra que o país não tem tanta exposição ao contexto global, devido ao peso reduzido das exportações no PIB, mas que setores da indústria, como o automotivo, podem sofrer com a piora das relações comerciais. "O outro lado dessa história é um mundo ainda líquido, com disponibilidade de recursos e perspectiva de quedas adicionais de juros", diz Campos. "Isso serve como um contraponto: se não houver um agravamento do contexto de estresse global, o Brasil mantendo a lição de casa benfeita, com as reformas e medidas em curso, conseguiremos sair de uma forma relativamente boa, em meio à busca dos investidores por oportunidades." Vale também consegue ver um "copo meio cheio" no atual cenário. "O Brasil sempre funcionou na base do choque, então o cenário internacional turbulento para o ano que vem reforça a necessidade de se continuar com as reformas."

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