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08/07/2019 | Países que fizeram ajuste têm queda do desemprego - O Globo

Os países da zona do euro, principalmente Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, estão em uma trajetória de crescimento mais sustentado, exibindo taxas de desemprego de quase a metade do observado até 2013, quando fizeram um ajuste fiscal, cortando salários e aposentadorias do funcionalismo. Portugal conseguiu reduzir o índice de desemprego de 17,5% em janeiro de 2013 para 6,5% em maio deste ano, o menor patamar desde 2002. No ano passado, fechou em 6,6%.

— Portugal fez reformas estruturais importantes no mercado de trabalho, tributária, ajuste fiscal forte e duro, com o corte de salário e demissão de funcionários públicos e reduções de pensões. Como são países democráticos, houve tensão política. Como consequência, estancou-se a sangria do período da crise da dívida, e melhoraram as taxas para o estado se financiar — afirma o economista Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV. Os países europeus enfrentaram a crise da dívida entre 2011 e 2013, após socorrerem bancos depois da crise global de 2008, iniciada com a bolha imobiliária nos EUA.

AJUSTE FORTE NA IRLANDA

Os bancos europeus estavam lotados de créditos que viraram pó, e os governos tiveram de resgatá-los a fim de evitar uma crise no sistema financeiro. Entre 2011 e 2013, os países se viram com déficits públicos e externos imensos, sem condições de se financiar. Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda foram os que mais sofreram. Membros de um bloco de moeda única, não podiam fazer uma desvalorização cambial, e o ajuste fiscal foi inevitável. O economista italiano Francesco Giavazzi diz que austeridade fiscal, quando é feita cortando gastos, faz o crescimento vir rápido. Estudo com 16 países, por 30 anos, sobre planos de austeridade fiscal, nos quais a maior parte veio de reforma da Previdência, mostrou que os resultados foram “recessões curtas e brandas”: —Nesses casos, a expansão da atividade estava de volta ao nível pré-reforma após três anos. No período, o recuo da atividade foi de 0,5 ponto percentual do PIB. E essa combinação (austeridade mais reforma) resultou em uma redução significativa da relação entre a dívida e o PIB —explica Giavazzi, um dos autores de “Austerity: When It Works and When It Doesn’t” (Austeridade: quando funciona e quando não funciona, sem edição em português). Em Portugal, o ajuste fiscal começa em 2011, e o desemprego inicia sua queda em 2013. Na Espanha, a contração fiscal começa em 2013 e, em 2014, a taxa de desocupação cede. Com a crise, os gastos saltaram, e o superávit de 2% em 2007 tornou-se um déficit de 4,4% no ano seguinte, chegando a 10,5% em 2012, quando o desemprego atingiu 26%. Em 2018, o déficit recuou a 2,5%, e o desemprego, a 14,4%. —A Espanha foi a que mais sofreu com a crise, mas está em recuperação muito firme, porque o sucesso no ajuste sustentado tem impacto positivo sobre crescimento, mesmo sem outra medida. O país já cresce acima da média da zona do euro —diz Langoni. A Irlanda estava com as contas ajustadas, mas a crise bancária pós-2008 obrigou o país a fazer um “ajuste bem pesado”, segundo o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria. Em 2010,o déficit chegou a 32%,e o desemprego, a 16%:

— A Irlanda sofreu muito com a crise bancária, mas recuperou o ritmo de crescimento, e o desemprego já era de 4,4% em maio deste ano. Os economistas fazem um paralelo com o Brasil, que pode ver o desemprego cair após as medidas de ajuste como a reforma da Previdência —cujos gastos, somados aos do funcionalismo, consomem mais de 60% do Orçamento.

— Os últimos três anos foram produtivos em termos de agenda econômica, com a reforma trabalhista, mudanças na gestão macroeconômica, nos bancos estatais, construindo a base para a retomada de crescimento, que agora depende da reforma da Previdência para retirar esse fator de incerteza e destravar as decisões econômicas — afirma Campos Neto.

REAÇÃO PREVISTA NO BRASIL

Para Langoni, a aprovação da reforma no sistema de aposentadorias terá um efeito mais rápido no Brasil. Ele estima que o desemprego comece a ceder no ano que vem: — A nova fase de expansão brasileira virá do investimento privado, com os prêmios de risco caindo, refletindo a saúde fiscal do país. O Brasil está pronto para crescer. O investimento está contido transitoriamente devido à incerteza política. Aprovada a reforma, o risco-país cai, e o investimento privado começa a decolar. O emprego vem a reboque a partir de 2020. Marcio Garcia, professor da PUC, também acredita que os reflexos da reforma no mercado de trabalho não devem demorar, porque “há muito investimento represado”.

Já o professor de economia internacional da UFRJ Luiz Carlos Prado considera haver outros motivos para a recuperação dos países europeus: — O crescimento veio com a volta da expansão mundial. Em Portugal, com o aumento das exportações e um pouco de gasto público —ressalta.

Estudo em 16 países mostra que corte de gastos faz crescimento voltar após três anos.

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