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10/06/2019 | Mercado deixa de lado trabalhador com mais de 50 - O Globo

Apenas 16,6% dos 46 milhões de trabalhadores com carteira assinada do Brasil têm entre 50 e 64 anos, fatia que cai a 9,7% no comércio e a 12,6% na indústria, os principais setores empregadores. Idade mínima de 65 anos para aposentadoria eleva o desafio de inclusão no mercado.

Romeu da Conceição, de 72 anos, já foi auxiliar de escritório, vigilante, cobrador de ônibus. Aos 61, ficou desempregado e foi difícil encontrar outra vaga. A idade pesava nas entrevistas. Ele insistiu e, há 11 anos, dá expediente em um supermercado em Botafogo, na Zona Sul do Rio, massuahis tóri aé praticamente uma exceção. Se a reformada Previdência for aprovada como foi enviada ao Congresso, aumentara oferta de vagas para profissionais mais velhos será um desafio maior para os setores da economia que mais empregam no país —o texto da reforma prevê idade mínima de 65 anos (homens) e 62 anos (mulheres) para a aposentadoria. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2017, os mais recentes, mostram que em 11 de 21 segmentos econômicos há menos trabalhadores comidade superiora 50 anos que a média nacional. Segundo o levantamento, 16,6% dos 46 milhões de trabalhadores com carteira no país tinham entre 50 e 64 anos, mas essa fatia era menor justamente nos setores que mais empregam, como indústria e comércio.

Esses 11 segmentos concentram 60% dos empregos no país. O comércio tinha a menor fatia de empregados com mais de 50: só 9,67% dos mais de 9,1 milhões de funcionários no setor. Na indústria de transformação, que empregava 6,7 milhões de pessoas, a participação era de apenas 12,6%. Em comparação, afatiados trabalhadores com idade acima de 50 anos na administração pública era de 27,8%.

Para Hélio Zylberstajn, professor da USP e coordenador do Salariômetro, da Fipe, a diferença está na rotatividade. Nos setores em que trabalhadores tendem a ficar menos tempo em seus postos é mais comum a troca dos mais velhos pelos mais novos.

— Os setores que têm menos participação dos mais velhos são os que têm mais rotatividade. As empresas acabam substituindo os maduros por mais jovens. Já na administração pública, há estabilidade.

TRANSFORMAÇÃO LENTA

Essa realidade começa a mudar com o envelhecimento da população e tende ase acelerar coma reformada Previdência, que fará os trabalhadores se aposentarem mais tarde. Estudo da Consultoria iDados, com base na Pnad Contínua, do IBGE, mostra que o número de pessoas com 50 anos ou mais trabalhando cresceu 20% entre 2012 e 2018. Já a população ocupada total subiu 3,2%. O grupo entre 14 e 49 anos encolheu 1,5%. No entanto, a renda dos mais velhos cresce bem menos que a dos trabalhadores mais jovens. A renda média real de quem tem 50 anos ou mais passou de R$ 2.654 para R$ 2.766 em sete anos, aumento de 4,2%. Já a dos trabalhadores entre 14 e 49 anos passou de R$ 1.893 para R$ 2.118, alta de 11,9%, mais que o dobro que a dos mais jovens. O estudo mostra manutenção da concentração dos mais velhos em trabalhos domésticos ena agropecuária, embora tenha identificado alta ema tivida desligadas a vendas e serviços financeiros.

Para Zylberstajn, da USP, o país precisa criar políticas de inclusão de trabalhadores mais velhos nos setores mais dinâmicos coma perspectiva da reformada Previdência e do envelhecimento da população.Mas observa que só a recuperação da economia pode garantires sa inclusão: — Estamos sob influência do desemprego cavalar neste momento. Jovem não encontra emprego, idoso também não. Mas, se a economia voltar acrescer, vai faltar jovem. No Sesi, ligado à indústria, desde 2016 o Centro de Inovação, Longevidade e Produtividade tem prestado consultorias a empresas interessadas em garantira produtividade de profissionais mais velhos, com a perspectiva de que permaneçam mais tempo nas fábricas coma aposentadoria por idade. Aos poucos, empresas criam programas para atrair profissionais mais velhos e descobrem vantagens. Foi por um deles que Romeu conseguiu a vaga na rede Prezunic. —Quando fiquei desempregado, em 2008, as empresas diziam que não contratavam gente da minha idade, apesar de gostarem de mim edomeu currículo. Após quatro meses, uma agência de empregos me encaminhou para experiência de três meses no supermercado. Nunca tinha trabalhado como caixa, mas deu certo. Estou aqui até hoje — diz Romeu, aposentado por tempo de contribuição desde 2001, que usa o salário de R$ 1.200 para pagar um plano de saúde.

MATURIDADE TEM VALOR

Celso Gomes, gerente da loja em que Romeu trabalha, diz que idade faz pouca diferença: — É claro que evitamos que eles peguem muito peso, mas todos têm suasl imitações. Tratamos todos igualmente. E fazemos os mais novos enxergarem que também chegarão a esta idade trabalhando. Outras grandes empresas já têm programas para atrair profissionais maduros, como agigante de tecnologia Totvs,aaé rea Gole asd rogarias São Paulo e Pacheco. Na seguradora Tokio Marine, 20% dos contratados nos últimos cinco anos têm mais de 50. Oque começou co mouma iniciativa de diversidade se mostrou um diferencial no call center.

— Quem liga para uma seguradora geralmente está passando por um momento difícil: bateu um carro, teve uma morte na família. O tom de voz da pessoa com mais 50 anos do outro lado da linha passa uma maturidade, maior atenção e cuidado com o cliente — conta Juliana Zan, superintendente de RH da empresa, que tem 2 mil funcionários.

Para Morris Litvak, que criou a plataforma MaturiJobs para ligar profissionais mais velhos às empresas, falta muito para que a experiência deles seja valorizada no mercado de trabalho. Da base de dados com 90 mil cadastrados, só 850 foram contratados.

— É muito pouco. Por isso temos feito muitas palestras sobre empreendedorismo, consultoria, trabalho autônomo. Está difícil até para o jovem conseguir emprego hoje. Sérgio Serapião, diretorexecutivo de uma start-up similar, a Labora, concorda: — Não há vagas para sêniores. Pior: os RHs estão cheios de jovens. Quando pensam em contratar mais velhos, cometem erros grosseiros. Outro dia, vi uma vaga para estagiário sênior. Pelo amor de Deus! Infantilizar alguém de 60 anos?

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