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04/06/2019 | Fábrica argentina de transmissão da Volks ignora crise e trabalha 24 horas - Valor Econômico

A direção da Volkswagen teve que resolver, ontem, na Argentina, um problema que está longe de ser mais um efeito negativo da crise econômica no país. Era preciso montar um palco dentro da fábrica de transmissões em Córdoba para celebrar o marco histórico de 14 milhões de peças produzidas. Ao mesmo tempo, a linha não poderia parar mais do que uma hora porque qualquer interrupção mais longa atrapalharia a agenda de entrega das encomendas, de várias partes do mundo.

O espaço da celebração foi instalado num canto da fábrica, de tal forma que a montagem e a desmontagem do cenário não atrapalhassem o trabalho. Uma fábrica que opera 24 horas por dia e que não pode parar é hoje praticamente uma exceção na indústria de manufatura da Argentina, país que mais chama a atenção do mercado pelos indicadores que expõem seu colapso econômico.

A inflação acumulada supera 55% nos últimos 12 meses. Somente em março o nível de atividade recuou 6,8%. Igualmente ruim, o mercado de veículos argentino vai encolher em 2019 em torno de 50% na comparação com 2018. Mas não é o mercado doméstico que dita o ritmo da linha de produção na fábrica de Córdoba. Das 722 mil transmissões que serão produzidas neste ano, nenhuma delas ficará na Argentina.

O único modelo produzido na Argentina que usava a transmissão manual, o Spacefox, deixou de ser produzido neste ano. "A fábrica de Córdoba é uma ilha", afirma Pablo Di Si, presidente da Volkswagen na América Latina. O ritmo acelerado da operação cordobesa é resultado da mistura de uma antiga vocação para a exportação e investimento em equipamentos e treinamento, mas também um pouco de sorte.

A vocação exportadora é explorada há cerca de duas décadas, quando a Volks herdou essa fábrica depois do fim da Autolatina, antiga fusão entre Volkswagen e Ford. Em 2001, a fábrica argentina passou a dedicar-se exclusivamente à produção de caixas de câmbio manual. Mas o avanço tecnológico dos veículos abriu um espaço para a operação de Córdoba. Primeiro foi o contínuo aumento das vendas de carros com transmissão automática. Em princípio, isso levaria ao fim gradual da produção de transmissões manuais em mercados mais desenvolvidos como a Europa.

A essa tendência soma-se, agora, outro movimento, o dos carros elétricos, que dispensam esse tipo de equipamento. A transmissão manual ainda é bastante usada em países emergentes, em razão de custo. No Brasil, em torno da metade dos automóveis vendidos carrega transmissão manual. Em outros, como a Alemanha, o câmbio manual é também procurado por questão de gosto de alguns motoristas.

Em razão disso, a unidade argentina transformou-se num centro de produção mundial para a Volks. Equipara-se à fábrica que produz o mesmo tipo de transmissão na Espanha. "Passamos a atuar num nicho de mercado e se por um lado sofremos com o avanço das caixas de câmbio automáticas, por outro passamos a fornecer para novos países", afirma o diretor do complexo industrial da Volks em Córdoba, Carlos Testa.

Um dos últimos mercados conquistados foi a Eslováquia, que passou a encomendar as caixas da Argentina porque a unidade fornecedora mais próxima, na Europa, em Kassel, deixou de atuar nesse segmento. O Brasil ainda é o maior cliente, mas, pouco a pouco, de Córdoba começaram a sair transmissões para a Espanha, Alemanha e Estados Unidos, além dos mais distantes China e Índia.

Recentemente a Volkswagen anunciou um programa de investimentos na Argentina que somará US$ 800 milhões entre 2018 e 2020. Desse total, US$ 150 milhões serão destinados à produção de um novo tipo de transmissão, na unidade de Córdoba, que também será 100% exportada. Os US$ 650 milhões restantes estão sendo investidos na modernização da fábrica de veículos, em General Pacheco, na província de Buenos Aires. Em pouco mais de um ano será produzido um novo utilitário esportivo em Pacheco.

Essa fábrica está no centro das discussões da nova aliança mundial entre Volks e Ford, anunciada em janeiro. As duas montadoras fabricam picapes na Argentina, em fábricas vizinhas. A Volks fabrica a Amarok (com caixas de câmbio importadas da Alemanha) e a Ford, a Ranger. Di Si afirma que os as discussões para acordos da aliança, que inclui o uso de plataformas em comum, estão em andamento, sem novidades, por enquanto.

O executivo queixa-se da taxa que o governo argentino impõe às exportações como forma de ajudar a sanar as contas públicas. "Isso diminui nossa competitividade", destaca. Mas, na fábrica de Córdoba, parece não haver crise. Di Si acredita que a produção de caixas de câmbio manual vão ainda sobreviver por mais 20 anos. Quanto ao futuro da operação cordobesa depois disso ninguém sabe dizer. As oscilações na economia argentina não permitem previsões longas.

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