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28/05/2019 | O fundo do poço? (Fabio Alves) - O Estado de S. Paulo

Com a esmagadora maioria dos analistas esperando uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, a ser divulgado amanhã, e a possibilidade de o IBGE revisar para baixo o desempenho do último trimestre de 2018, a pergunta que se faz é: a economia brasileira atingiu o fundo do poço entre janeiro e março ou o pior ainda não ficou para trás?

Segundo pesquisa do Projeções Broadcast, com 50 instituições financeiras, o PIB encolheu 0,2% no primeiro trimestre deste ano. Se esse desempenho surpreender negativamente, com uma contração maior, há o risco de o IBGE revisar o PIB do último trimestre de 2018 de um crescimento de 0,1% para uma queda, o que colocaria o Brasil em uma recessão técnica, quando a economia encolhe por dois trimestres consecutivos.

De um lado, a forte recessão na Argentina e a desaceleração da economia global, sob o espectro da guerra comercial entre Estados Unidos e China, tornaram o ambiente externo menos favorável ao PIB brasileiro. De outro, a decepção com o andamento das reformas, em particular a da Previdência, e a frustração com a articulação política do governo Jair Bolsonaro minaram a confiança de empresários e consumidores ao longo do primeiro trimestre. Somam-se a esses fatores os efeitos retardados sobre as condições financeiras e variáveis macroeconômicas de choques sofridos no ano passado, entre os quais a greve dos caminhoneiros.

“Não acho que o pior ficou para trás”, diz a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour Chachamovitz, que estima uma retração de 0,2% no primeiro trimestre e um crescimento de 1,0% para 2019 como um todo, embora trabalhe com um viés de baixa para essa estimativa. “Os índices de confiança voltaram a cair e a incerteza política e fiscal continua altíssima.”

Enquanto alguns indicadores antecedentes em abril apontaram para uma recuperação da atividade econômica no segundo trimestre, outros não dão margem para otimismo.

Em abril, a produção de veículos cresceu 0,5% sobre igual mês do ano passado e a de papelão ondulado aumentou 1,3% no mesmo período. O fluxo de veículos pesados nas estradas pedagiadas cresceu 1,4% em abril ante março. Também em abril, houve a criação de 129 mil vagas formais de emprego, segundo o Caged, bem acima das expectativas dos analistas, que eram de geração de 78 mil postos de trabalho.

Por outro lado, todos os índices de confiança recuaram em maio: o do consumidor caiu 2,9 pontos, o da indústria perdeu 0,7 ponto e o do comércio recuou 5,4 pontos.

Para o economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini, a decepção do PIB do último trimestre de 2018 e a possível contração do PIB do primeiro trimestre de 2019 levaram a um pessimismo exagerado. Ele prevê uma contração de 0,2% no primeiro trimestre, mas estima um crescimento de 1,5% da economia brasileira em 2019.

“As pessoas estão extrapolando os dados ruins do primeiro trimestre para o resto do ano”, argumenta Buccini. Segundo ele, o crescimento da economia aceleraria para 0,8% nos três trimestres restantes para atingir expansão de 1,5% no ano.

Segundo ele, o Brasil tem baixa capacidade de crescimento de longo prazo, mas isso não mudou significativamente nos últimos dois trimestres. “O setor que deve impulsionar o crescimento no resto do ano deve ser o consumo”, diz. “Mesmo com a taxa de desemprego alta, a massa salarial e o crédito para pessoa física estão crescendo a um ritmo condizente com aceleração do consumo nos próximos meses.”

Para Solange, da ARX Investimentos, os dados de abril do Caged ainda não dão margem para otimismo. “Foi apenas um dado mais forte e os salários ainda estão e ficarão bem contidos”, observa. “O hiato no mercado de trabalho é enorme e não é uma melhora marginal que me fará ficar mais otimista.”

Independentemente de o pior da atividade econômica ter ficado para trás ou não no primeiro trimestre, os analistas concordam que a principal fonte de incerteza para o desempenho da economia no restante do ano é a política. Mesmo com os parlamentares tomando para si uma agenda de reformas, diante dos sinais dúbios do presidente Bolsonaro, que tipo de reforma tributária e da Previdência sairá do Congresso? Suficientes para finalmente destravar os investimentos?

*COLUNISTA DO BROADCAST

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