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29/05/2019 | Campos alerta para efeito contrário de corte de juros - Valor Econômico

Para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o debate hoje em torno de um corte adicional na taxa básica de juros para estimular o crescimento não é trivial. A política de juros tem, atualmente, segundo ele, três componentes principais: a capacidade ociosa, as reformas e o choque de credibilidade que elas geram e a parte externa que ele considera ter um lado "benigno", na medida em que os juros baixos no mundo tendem a permanecer por mais algum tempo.

Campos ponderou que, apesar da expectativa de crescimento da economia ter caído, isso não foi acompanhado de queda da expectativa de inflação nem no curto nem no longo prazo. Em conversa com jornalistas e empresários na noite de segunda-feira, durante jantar promovido pelo site "Poder 360", o presidente do BC disse que "usar a política de juros para estimular o crescimento quando a inflação não tem espaço de ancoragem gera uma dinâmica contrária, de maior risco, subtrai liquidez da economia e leva a crescimento baixo e inflação para cima" - situação que, aliás, o país já viveu no passado recente.

Para ele, portanto, a melhor forma de ajudar na retomada do crescimento econômico do país é com "credibilidade e a melhor maneira de ter credibilidade é com inflação baixa e expectativas ancoradas". "Nós controlamos a Selic, mas não controlamos a 'financial condition' [condição financeira dada por um conjunto de variáveis que refletem a liquidez]", disse. E a maneira de a taxa básica de juros se transformar em um índice das condições de liquidez da economia é, segundo ele, com "credibilidade".

O contrário disso é o risco de a injeção de liquidez na economia ter um "efeito reverso", como já ocorreu no Brasil, na Argentina e na Turquia. Essa foi a primeira vez que o presidente do BC se posicionou no debate que preconiza menos juros para mais crescimento. A lentidão da retomada preocupa o BC e dentre as razões que explicaria isso, segundo Campos, está a complementariedade entre os investimentos públicos e os privados.

Essa, que era uma relação baixa, dobrou entre 2005 e 2015. "Imaginamos um efeito de substituição dos investimentos públicos [que estão travados por falta de recursos] por investimentos privados que não ocorreu na velocidade esperada", disse. Ele não considera a possibilidade de o país entrar em uma "depressão" econômica, cenário apontado por Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, em um trabalho elaborado por sua consultoria.

Campos argumentou que há uma "demanda reprimida" para investir no Brasil e parece que os investidor estaria esperando um "trigger", um gatilho, que ele acredita que virá da aprovação da reforma da previdência. Depois de conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Campos disse estar confiante na possibilidade de aprovação da proposta de autonomia operacional do BC muito em breve. Nova conversa entre ambos está marcada para esta semana.

A avaliação, disse, é de que "o Brasil está maduro para a autonomia do BC". Ele não comunga da ideia de incluir a preocupação do BC com o nível da atividade econômica no projeto da autonomia, conforme sugestão recente do ex-presidente da instituição, Arminio Fraga. Campos teme que isso possa dar margem para que o país troque inflação controlada por mais crescimento no curto prazo, como, aliás, já se fez no passado. Hoje, o Banco Central vai divulgar a nova agenda BC+, que terá quatro focos, segundo Campos.

São eles: a inclusão, a competitividade, a transparência e a educação financeira. A educação financeira terá uma abordagem mais criativa por parte do BC. Uma das hipóteses consideradas é o cliente que fizer o curso de educação financeira melhorar o seu 'score' de crédito junto ao banco do qual é depositante. O BC deverá expor, também, o projeto de lei que simplificará as normas cambiais, sem o qual a política de abertura comercial não vingará. A legislação cambial do país foi instituída entre os anos de 1920 e 1950 e precisa de uma boa simplificação, avalia o presidente do BC.

A nova proposta de lei pretende reduzir o custo das transações cambiais. Para se fazer uma remessa de dinheiro a um filho que estuda fora paga-se, no país, quatro vezes o que custa, por exemplo, no Peru. O governo tem como objetivo ter uma moeda conversível. Ele observou que há "muita demanda, em países pequenos que fazem negócios com o Brasil, por contas em reais". "Se o país tiver estabilidade, com inflação controlada e taxa de juros baixa, teremos campo para expandir a moeda. Mas, para isso, é importante que seja uma moeda conversível", afirmou.

Ele considerou que o custo de carregamento das reservas hoje é baixo e que elas se mostraram um bom seguro nos períodos de crises mais agudas na cena externa. Campos disse, ainda, que o atual nível do dólar, na casa dos R$ 4,00, não pressiona a inflação, em uma economia em que o hiato do produto - a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial - é alto. "Mas em Brasília eu vejo mais preocupação com o contrário: 'e se o dólar for a R$ 3,20?'", comentou, em referência à apreensão de exportadores no caso de um grande fluxo de investimentos no país em decorrência das reformas. A situação hoje é inversa, em relação ao ingresso de capitais estrangeiros, já que os investidores estão preferindo aplicar prioritariamente em renda fixa nos países asiáticos em detrimento das Américas.

Evitando tecer comentários sobre a situação política do governo Bolsonaro, a despeito de perguntas de empresários presentes ao jantar, Campos disse que está tocando sem problemas a agenda de mudanças microeconômicas do BC. Salientou que, na questão do spread bancário, há ainda muito a fazer para reduzir a diferença entre o spread médio dos países emergentes, que anda na casa dos 5% a 6%, para o cobrado pelos bancos no Brasil, da ordem de 22%.

Ele vê na inadimplência e no processo judicial que gera a cobrança de devedores um dos motivos da distância entre o custo de captação e de aplicação no país se comparado à nações semelhantes. Uma ideia seria retirar esse processo das mãos dos juízes. 

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