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27/05/2019 | Estimativas apontam queda de 0,2% no PIB do 1º trimestre - Valor Econômico

A perspectiva de retomada da atividade no início de ano teve vida curta, frustração que se estendeu também ao desempenho previsto para o restante de 2019. A partir dos dados negativos conhecidos para o primeiro trimestre, 32 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,2% ante os últimos três meses de 2018, após os ajustes sazonais. Se confirmada, esta será a primeira queda nessa comparação desde o último trimestre de 2016, quando a economia brasileira ainda estava em recessão. Naquela ocasião, o PIB encolheu 0,6%

As projeções para as Contas Nacionais Trimestrais, que o IBGE divulga na quinta-feira, estão em sua maioria em campo ligeiramente negativo, e variam de redução de 1% até estabilidade para os três meses encerrados em março. Em relação ao primeiro trimestre de 2018, a estimativa mediana aponta que a economia cresceu 0,5%. Para o ano, as projeções indicam expansão de 1,1%, mesma magnitude registrada em 2018. Cada vez menos analistas esperam aceleração do crescimento em relação ao ano passado, visão que ainda era consenso há poucos meses. "Tínhamos expectativa de melhora da atividade, mas o cenário político jogou um balde de água fria nessa percepção", diz Giulia Coelho, economista da 4E Consultoria, para quem o PIB ficou 0,2% menor no primeiro trimestre.

Além das incertezas sobre os rumos da reforma da Previdência, cuja tramitação no Congresso tem corrido em ritmo muito mais lento do que o previsto, Giulia destaca que as declarações controversas do governo também afetam negativamente o humor dos agentes econômicos. Também por isso, a atividade não contou com ajuda dos investimentos para ganhar tração. Nos cálculos de Luis Afonso Lima, economista-chefe da Mapfre Investimentos, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 1,5% entre o fim do ano passado e o primeiro trimestre. "Do lado de demanda, não há nenhum componente deslanchando, nem a FBCF, que costuma liderar o crescimento em períodos de retomada", afirma.

Segundo ele, além das dificuldades com a tramitação da Previdência, a saída do BNDES do financiamento do setor produtivo está jogando contra a disposição dos empresários em investir. Mesmo que bem sucedida, a redução do gasto público é contracionista no curto prazo, lembra Lima. "O governo diz que a atividade vai melhorar depois da aprovação da reforma da Previdência, mas em todos os países que passaram por ajuste fiscal, seja por aumento de impostos ou contenção de despesas, o ajuste fiscal teve um efeito líquido negativo para o consumo", diz.

O economista prevê que a economia caiu 0,1% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre do ano passado, e chegará ao fim do ano com alta acumulada de 1%. O caminho para concretizar tal cenário não será trivial: o PIB terá de avançar a um ritmo médio dessazonalizado de 0,7% nos próximos três trimestres. Desde 1997, o ritmo de expansão do PIB tem sido, em média, de 0,5% por trimestre, segundo seus cálculos.

O setor externo também não deu alívio de janeiro a março, com as importações crescendo 0,8% e as exportações caindo 2,5%, destaca Lima. "Mesmo que em algumas culturas agrícolas o preço tenho aumentado por causa das disputas comerciais entre Estados Unidos e China, esse efeito não é computado no PIB, que reflete apenas a quantidade transacionada", diz. lado da oferta, o ambiente mais adverso se traduziu em comportamento ainda pior do que o esperado da indústria, que recuou 0,8% nos primeiros três meses do ano, calcula Giulia, da 4E, retração maior do que a observada nos último trimestre do ano passado (-0,3%). O efeito da recessão na Argentina, importante parceiro comercial para onde o Brasil exporta manufaturados, já estava na conta, diz, mas o setor também sentiu o impacto de uma demanda doméstica pífia.

Na ponta mais otimista para o primeiro trimestre, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) trabalha com crescimento nulo no período, número que estava em alta de 0,6% há dois meses. A coordenadora do Boletim Macro da entidade, Silvia Matos, destaca que a atividade só não se retraiu de janeiro a março por causa do consumo, que subiu 0,4% em seus cálculos. No entanto, pondera Silvia, a demanda interna pode mostrar arrefecimento mais expressivo ao longo de 2019, tendo em vista a "situação preocupante" do mercado de trabalho, que registrou alta do desalento e piora na composição do emprego.

Assim, diz ela, a economia pode crescer menos do que o 1,4% estimado atualmente na média do ano. "O risco de arrefecimento adicional da atividade persiste e dependerá de fatores internos e externos", comentam Silvia e a pesquisadora Luana Miranda. No cenário internacional, a guerra comercial entre EUA e China e a trajetória futura da economia argentina são os principais pontos de preocupação, avaliam.

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