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16/05/2019 | Executivos buscam emprego e contatos em grupos de WhatsApp - Valor Econômico

Grupos de WhatsApp que discutem trabalho e carreira estão se multiplicando entre executivos de alta gerência ou superior. Os profissionais usam a ferramenta para receber indicações de currículos, informações sobre palestras e cursos especiais, além de vagas disponíveis no mercado. Trocar experiências sobre o dia a dia no expediente e obter referências de serviços que possam interessar às companhias onde trabalham também são práticas comuns nos fóruns.

Na maioria deles, novos integrantes precisam ser convidados por um participante mais antigo para ganhar acesso. Com listas de até 256 usuários, capacidade máxima aceita pela plataforma de mensagens por grupo, as interações que envolvem piadas, discussões políticas e temas religiosos não são permitidas pelos mediadores. Um das tendências do movimento é conectar profissionais por setor, como tecnologia, publicidade, varejo ou recursos humanos. Mara Maehara, chief information officer (CIO) da empresa de tecnologia Totvs, participa de grupos no WhatsApp desde 2016.

Está presente em cinco deles, como o Mulheres CIO, que discute a presença feminina no mercado de tecnologia da informação (TI), com cerca de 130 participantes; e o Networking CIO, com mais de 250 gestores. "Falamos sobre a utilização de serviços no nosso setor e criamos um fórum periódico em que voluntários se reúnem para aconselhar quem precisa de recolocação", diz. A executiva afirma que já foram compartilhadas indicações de profissionais especializados e oportunidades de trabalho. Os currículos já chegam com referências, afirma. A conversa on-line também pode ir para o "mundo real" e lapidar o contato que começou no celular.

O Networking CIO, por exemplo, realiza um jantar a cada trimestre, com palestrantes convidados. Já recebeu um CEO para contar as experiências da profissão e um coach financeiro que ensinou como fazer um planejamento pessoal. Ricardo Basaglia, diretor geral das consultorias de recursos humanos Michael Page e Page Personnel, avalia que a presença de mais executivos no WhatsApp é uma evolução das reuniões presenciais feitas por categorias profissionais. "É positivo porque torna-se possível fazer 'trocas' mais ágeis e frequentes com pessoas geograficamente distantes."

Maria Luíza Nascimento, diretora de RH da consultoria de capital humano Randstad, conta que já conseguiu, por conta dos colegas virtuais, um lugar na lista de espera de um curso sobre marca empregadora que planejava fazer. "Pedi informação para os participantes e tive um retorno rapidamente", diz a executiva, que passou a acompanhar mais conversas na plataforma há um ano. Hoje, acompanha seis grupos, sendo dois sobre marca empregadora, que reúnem mais de 400 pessoas, e o restante sobre vagas disponíveis em empresas.

Para a diretora, a principal vantagem dos bate-papos é a velocidade da chegada de indicações e notícias do setor de RH. "Além disso, é um ótimo canal para agendar cafés e conversar sobre tendências profissionais." Basaglia, da Michael Page e Page Personnel, diz que quem está planejando entrar em um grupo deve escolher uma opção que se destaque por um tema de interesse. "O ideal é se cercar de pessoas com as quais o usuário sinta-se confortável para debater, com um fluxo de informações possível de acompanhar", diz ele, que já foi convidado para participar de uma lista de contatos sobre recursos humanos, feita para recrutadores. Já o grupo Acelera Varejo, criado em 2013, de executivos do setor varejista, cresceu tanto que já gerou cinco subgrupos.

Juntos, abrigam mais de mil pessoas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, afirma Denis Santini, CEO da MD, empresa especializada em comunicação para o varejo e franquias. Entre os participantes, 70% estão em cargos gerenciais ou de alta direção, enquanto 30% são CEOs ou sócios de companhias. "São pessoas que atuam no mesmo segmento e nem sempre têm chance de estarem juntas." Há executivos de marcas como Riachuelo, Leroy Merlin e Di Polinni, do ramo de calçados. "Ao contrário do que se pensava, que esse tipo de interação seria uma perda de tempo, ele ajuda a criar, organizar ideias e dar apoio em situações do dia a dia", explica.

Os diálogos mais comuns variam em cada subgrupo, mas há maior concentração de registros sobre fornecedores de serviços, pesquisas de mercado e inaugurações de lojas. Santini já presenciou indicações de currículos para cargos em aberto e marcas que fizeram parcerias. "Há recomendações que, muitas vezes, evitam dores de cabeça e encurtam caminhos." Ana Moisés, diretora de soluções de marketing do LinkedIn para a América Latina, diz que investe parte do tempo no WhatsApp principalmente para se atualizar sobre movimentações profissionais e novidades do ramo publicitário, um de seus interesses.

Há menos de um ano dedicada à ferramenta, colabora em três grupos. Um dos maiores, com mais de 250 contatos, é o Gestores Amigos do Mercado, com gerentes, diretores e presidentes de agências, além de consultores independentes. "O mais importante ao eleger um grupo é ter certeza que ele traz um benefício do ponto de vista profissional", diz. "Caso contrário, serão apenas mais dados para digerir no meio do mar de informações que recebemos." Uma das práticas de Ana é usar os espaços para compartilhar e acompanhar conteúdos como apresentações corporativas, análises setoriais ou reportagens. Recentemente, entrou em um grupo do South by Southwest (SXSW), festival de cinema, música e tecnologia que acontece anualmente nos Estados Unidos, com outros brasileiros que iriam ao evento. "Isso gerou oportunidades para encontros de relacionamento e indicações de palestras no local."

Com a proliferação dos grupos, a tendência é que surjam comunidades em torno de conteúdos cada vez mais específicos, segundo os participantes. No VIP Networking, criado em janeiro por Caroline Gonçalves, head de pessoas para a América Latina da multinacional Engineering, de soluções e serviços de TI, o assunto mais comentado é a transformação digital nos departamentos de recursos humanos. "A ideia do grupo é estreitar relações entre altos executivos de RH, headhunters e consultores, para falar sobre gestão de pessoas", diz. Em menos de cinco meses, já atraiu 120 profissionais, de gerentes seniores a CEOs, de companhias como Walmart, Pepsico e Serasa Experience.

Caroline diz que tenta ser assertiva na mediação das pautas. "Só compartilhamos material que agrega valor. Muitos profissionais já fazem parte de outros grupos e não querem que o nosso seja apenas mais um." Para ela, um dos principais benefícios das conversas, mesmo filtradas por assuntos como gestão de carreira e trabalho, é ajudar os outros. "Acredito na capacidade das pessoas em criar conexões verdadeiras." 

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