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16/05/2019 | Crise amplia universo dos sem aposentadoria nem trabalho acima de 50 anos - Valor Econômico

Dois anos de recessão e a consequente crise no mercado de trabalho fizeram crescer rapidamente o número de homens de 50 a 69 anos de idade no país que não trabalham nem procuram emprego, mesmo sem receber aposentadoria ou pensão. Levantamento da consultoria LCA a pedido do Valor mostra que o total de pessoas que reúnem essas condições estava em 1,843 milhão em 2017, 11% acima do ano anterior (189 mil pessoas a mais).

O contingente representava 9,6% dos homens dessa faixa etária. Esse fenômeno foi inicialmente identificado por um estudo das pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Daniele Fernandes, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que observam há anos a tendência desse grupo, batizado de "nem nem maduros". As pesquisadoras afirmam que os homens que se encaixam no perfil "nem nem" representavam 4,2% da faixa etária em 1992. Esse número cresceu para 6,2% em 2005 e alcançou 8,3% em 2015.

Segundo a LCA Consultores, que levantou os números mais recentes a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), esses homens têm como característica comum pertencer a famílias de baixa renda e ter baixa escolaridade. "É preocupante, porque são pessoas que têm e terão muita dificuldade de se recolocar no mercado de trabalho. Com o tempo, ficam desatualizadas, perdem autoestima e desistem de procurar recolocação", diz Cosmo Donato, economista da LCA. Do total de homens que não trabalham, não procuram emprego nem têm aposentadoria, 71% não tinham instrução ou ensino fundamental completo. Somente 5% cursaram ou completaram o ensino superior.

É presumível que parte tenha se dedicado a trabalhos braçais, no campo e nas cidades. O levantamento mostra que a maioria esmagadora é beneficiária de programas sociais, como Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada). Do 1,843 milhão de "nem-nem maduros", 1,418 milhão (77%) participa desses programas. Acredita-se também que parte é sustentada por outros integrantes da própria família, como esposas e filhos. Como não procuram emprego, esses homens estão fora força de trabalho. Isso significa que não são considerados desempregados nas estatísticas do IBGE.

A maioria está no chamado desalento - desistiu de procurar trabalho por não acreditar que encontraria. Pesa contra a recolocação profissional a percepção negativa de empregadores sobre a saúde da mão de obra mais velha e sua produtividade. Há percepção de que, embora com mais experiência profissional, eles têm mais dificuldade para acompanhar as frequentes mudanças tecnológicas para acompanhar as frequentes mudanças tecnológicas.

André das Neves Ferreira, de 52 anos, vivia como camelô - ocupação definida pelo IBGE como trabalho "por conta própria" - nas ruas do Rio. Com a crise, as vendas caíram. Para piorar, sua mercadoria acabou apreendida. Ficou sem renda e, sem família para apoiar-se, precisou ir morar em um hotel social da prefeitura. Criado na favela da Rocinha, Ferreira chegou a fazer um currículo com apoio do serviço social. Levou-o a bancos de emprego do Estado, mas nenhuma ocupação apareceu. Acredita que ter estudado só até a sétima série prejudicou a busca por trabalho.

Desistiu também de procurar. "Eu vivo com apoio da assistência social, com alguma ajuda de pessoas que doam coisas", diz Ferreira, que não recebe Bolsa Família ou outros benefícios de programas de transferência de renda. Donato lembra que parte desses "nem nem maduros" está atualmente enquadrada nas regras do Benefício de Prestação Continuada, que paga um salário mínimo para idosos (mais de 65 anos) que não têm aposentadoria. O governo, porém, estuda atualmente mudar a regra. "Se essa pessoa não contribuiu por 20 anos e não tem perspectiva de voltar ao mercado, entra na regra do BPC.

Mas, pela proposta nova, essa pessoa passaria a ter o benefício ao 60 anos, recebendo apenas R$ 400 mensais. Para receber um salário mínimo, somente depois dos 70 anos", disse Donato. Segundo Donato, não está claro se essa saída "precoce" do mercado de trabalho foi interrompida em 2018, com a recuperação ainda lenta e incerta do mercado de trabalho. Para ele, será preciso aguardar a divulgação dos microdados da pesquisa do IBGE referentes ao ano passado. "A taxa de desemprego ainda está muito elevada, ou seja, ainda há muita mão de obra capacitada na fila, a qual deve ser absorvida antes.

As pessoas com o perfil pesquisado ficarão no fim da fila, ainda mais que prevemos desemprego abaixo de 10% somente em 2021", diz o economista da LCA. Uma parcela da inatividade desses homens de meia idade também está relacionada a questões como uso de drogas, abuso de álcool e outros fatores, inclusive psiquiátricos. São características não quantificadas pelo IBGE, mas identificável por assistentes sociais.

Priscila Mello, integrante da ONG Vidas Invisíveis, que auxilia a reintegração de pessoas em situação de rua no Rio, diz que grande crescimento do número de pessoas em situação de miséria na faixa de 40 a 60 anos. Ela diz que o perfil "comum" de moradores de rua era de mais jovem antes. "Eram jovem com problema de vício, ex-detentos. Durante a crise, porém, muita gente mais velha perdeu emprego. Tornou-se comum encontrar pessoas que perderam emprego e foram para rua, não tiveram coragem de ir com mulher e filhos para casa de parentes."

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