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06/05/2019 | Crise empurra 1 milhão de famílias para classes D e E - Folha de S. Paulo

A crise prolongada vai levar quase um milhão de famílias a engrossar as classes D/E este ano, a mais baixa na pirâmide de renda, de acordo com estudo inédito do IPC Marketing. Pelas estimativas do economista Marcos Pazzini, diretor do IPC e responsável pela pesquisa, vão descer um degrau de classe econômica, 988,472 mil lares para a faixa de rendimento médio domiciliar de até R$ 708 mensais, o que representa queda de 58% em relação à classe superior, a C. Com isso, o consumo nesse segmento é o que mais vai crescer este ano, nas contas de Pazzini. A alta será de 14,2%, contra 7,2% da classe A. O segmento mais pobre injetará R$ 450 bilhões na economia em 2019, segundo as previsões. Pouco abaixo do consumo da classe A, que será de R$ 595 bilhões. A diferença é que a classe A concentra 1,47 milhão de famílias, o que representa apenas 8,6% do contingente da classe D/E, com seus 17,12 milhões de domicílios.

MAIS MICROEMPRESAS

De acordo com a pesquisa, haverá queda no número de domicílios nas classes C, B e A. Somente na base da pirâmide de renda haverá aumento no número de famílias, indicando empobrecimento. — O crescimento maior do consumo das classes D/E virá principalmente do aumento no número de famílias —afirma Pazzini. Apesar da piora das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o estudo mostra que o potencial de consumo do Brasil este ano deve crescer 2,7%, para R$ 4,7 trilhões, já com o desconto da inflação. Pazzini diz que o desempenho do consumo das famílias tem melhorado, mesmo com a recuperação lenta: —No ano passado, o consumo das famílias cresceu quase o dobro do PIB, 1,9% contra 1,1%. Em 2017, tinha empatado e, em 2016, teve queda superior à do PIB. O consumo se recupera. Há um movimento grande de criação de microempresas no país. Subiu quase 13% este ano, com a criação de pessoa jurídica no lugar do emprego formal.

Pazzini refere-se a 10,4 milhões de microempresas no país, número já 12,4% maior que o registrado em 2018. As pequenas também cresceram. Eram 20,2 milhões no ano passado, número bem superior aos 18 milhões de 2016. O aumento do consumo será majoritariamente em bens de primeira necessidade, segundo o estudo. Os gastos com manutenção do lar, que são as despesas com água, luz, aluguel, telefone e gás, concentram a maior parte dos R$ 4,7 trilhões previstos. São 39,1% do orçamento das famílias destinados a essas despesas. Em 2014, eram 35,1%. Apesar de a inflação ter subido no início do ano, pressionada pelos alimentos, os preços de legumes, verduras e frutas devem cair e dar uma folga no orçamento das famílias, esperam os economistas. —Aquedada inflação forte de alimento sem 2017 deu um alívio numa situação econômica frágil, que permanece. A partir de maio, as famílias devem ter alívio no bolso, pois os preços dos alimentos tendem ase acomodar—diz Silvia Matos, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para Marcelo Azevedo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança de humor dos consumidores na última sondagem feita pela entidade ainda não é uma tendência consolidada.

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