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03/05/2019 | Empresas retomam a rentabilidade, mas indústria fica para trás - Valor Econômico

O cenário de reação fraca da atividade em 2018 teve reflexo na rentabilidade das empresas industriais, que mostraram resultados inferiores aos de outros ramos da economia, tendência que pode se repetir este ano, se a retomada não deslanchar. Segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os indicadores de lucratividade do setor melhoraram no ano passado, mas de forma concentrada e insuficiente para dar início a um novo ciclo de investimentos produtivos.

No agregado de 318 companhias não financeiras com dados contábeis disponíveis, a margem líquida de lucro (relação entre lucro líquido e receita líquida) subiu de 4,3% para 7,6% entre 2017 e 2018, superando com folga o percentual de 2,7% registrado em 2014, ano anterior à recessão.

Mesmo excluindo Petrobras, Eletrobras e Vale da amostra - que, pelos seus tamanhos, distorcem os resultados -, a margem líquida aumentou 1,4 ponto na passagem anual, para 5,9%, também acima do patamar de cinco anos atrás (5,6%). Para a indústria, porém, a melhora foi bem mais tímida. No conjunto de 131 empresas do setor, desconsiderando Petrobras e Vale, o indicador avançou 0,9 ponto em 2018 sobre o ano anterior, para 4,6%. Com essa evolução, a margem líquida das companhias industriais ainda está 1,1 ponto abaixo do nível de 2014. Autor dos cálculos, Rafael Cagnin, economista do Iedi, destaca que o avanço mais expressivo foi observado nos serviços e, em menor grau, no comércio.

No primeiro setor, a margem líquida deu um salto de 4,4 pontos entre 2017 e 2018, para 10,4%. No comércio, a alta foi mais comedida, de 0,8 ponto, para 3,4%. Ambos os setores sofrem menos concorrência externa do que a indústria e têm maior capacidade de repassar aumentos de custos aos preços finais, o que se reflete na margem de lucro, afirma Cagnin. Segundo o economista, três fatores pressionaram os custos industriais no ano passado: a depreciação cambial, que foi de 20% na média de 2018, mas chegou a 25% nos meses que antecederam a eleição presidencial, a alta de commodities e, por fim, a tabela de fretes negociada após a greve dos caminhoneiros.

Como reflexo, diz, a expansão da margem líquida foi pequena e pouco espalhada entre as atividades. "É favorável que a rentabilidade tenha saído de suas piores marcas do período recente, mas a melhora é muito parcial e não resgatou os níveis anteriores à crise", disse. Entre os 22 segmentos industriais pesquisados, a razão entre lucro líquido e receita líquida aumentou em 11 deles. As empresas de insumos básicos e as de mineração e siderurgia mostraram as maiores altas na margem líquida, aponta o instituto, provavelmente devido à apreciação da cotação internacional das commodities metálicas. Na outra ponta, os segmentos de alimentos, construção e incorporação, higiene e limpeza, autopeças, calçados, eletroeletrônicos e material de transporte, entre outros, mostraram queda da rentabilidade de 2017 para 2018.

De acordo com a entidade, os setores de pior desempenho também foram, de modo geral, os que contribuíram mais para a elevação do grau de endividamento das empresas, outra tendência preocupante. O quadro de 2018 é desafiador, aponta o Iedi, uma vez que o aumento da lucratividade não reduziu de forma significativa o nível de dívidas, especialmente nas indústrias. No total de empresas da amostra, excluindo Petrobras, Vale e Eletrobras, o lucro líquido cresceu R$ 28 bilhões entre um ano e outro, alta de 45%, enquanto o endividamento bancário total subiu R$ 105 bilhões (9,5%).

No agregado de todas as companhias não financeiras, a relação entre endividamento líquido (empréstimos e financiamentos menos caixa e aplicações financeiras) e capital próprio subiu 0,8 ponto entre 2017 e 2018, para 96,6%. No setor industrial, a expansão foi bem maior, de nove pontos (87,1% para 96,1%). Já a razão entre o Ebitda (lucros antes de juros e impostos, depreciação e amortização) e as despesas financeiras do conjunto de indústrias analisadas (sempre excluindo Petrobras e Vale) ficou praticamente estável entre 2017 e o ano passado, ao recuar 0,1 ponto, para 1,2%. No conjunto de todas as empresas, houve alta, de 1,2% para 1,5%.

Esse indicador mostra a capacidade das companhias pagarem suas dívidas com o caixa gerado. "Logo, ainda que tenha ocorrido uma recuperação da lucratividade operacional em 2018, ela não foi suficiente para aumentar a cobertura, no total, das despesas financeiras das empresas industriais", pondera o Iedi. Para Cagnin, a desvalorização cambial ocorrida em 2018, que elevou o passivo das empresas endividadas em dólar, explica somente uma parte da alta do endividamento. "Muitas empresas estavam com dívidas atrasadas acumuladas, que podem ter sido refinanciadas num período um pouco melhor do nível de atividade", afirma. Com a atualização dos juros, o principal das dívidas também aumentou, diz. Segundo a entidade, os dados indicam entraves na desalavancagem das empresas e, consequentemente, na criação de condições para um novo ciclo de aumento dos investimentos produtivos, que estão paralisados.

Sem considerar Petrobras e Vale, a participação do ativo imobilizado, como edifícios e maquinário, no total de ativos das indústrias recuou de 28,3% para 26,9% entre 2017 e o ano passado. Em igual intervalo, a fatia dos recursos líquidos, que somam o montante disponível em caixa e aplicações financeiras, subiu de 13,7% para 14,6%, maior patamar desde 2014, movimento que, segundo o Iedi, é típico de períodos de elevada incerteza. "Os dados mostram que as empresas estão em compasso de espera. Isso quer dizer menos investimentos, menos produção e menos crescimento econômico", resume Cagnin.

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