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03/05/2019 | O impacto brutal das mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e demográficas - Valor Econômico

"Software de inteligência artificial ganha Nobel de Física." "Carros autônomos protestam contra empresas de teletransporte." "Inaugurada uma nova colônia em Marte." "China concede novo empréstimo aos EUA." Todos esses títulos são um exercício de ficção, mas que tal imaginar quais serão as manchetes em 2050, quando chegaremos à metade deste intrincado século XXI? A tarefa não é simples. Niels Bohr (1885- 1962), o físico dinamarquês, já dizia que é muito difícil fazer previsões.

Ainda assim, o exercício de traçar grandes cenários é imprescindível nos dias correntes. Isso porque, em uníssono, argumentam especialistas de diversas áreas do conhecimento, as mudanças que se avizinham tendem a ter um impacto brutal, talvez único, na espécie humana.

Tentar identificá-las seria um pré-requisito para a sobrevivência. Isso posto, aperte os cintos. Alguns fatos recentes oferecem um vislumbre, uma amostra, do que nos aguarda no futuro. Considere, por exemplo, que: 1) Em abril, cientistas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, imprimiram um coração em 3D. Para isso, usaram como base um tecido humano. O pequeno órgão tinha 3 cm, igual ao de um coelho, e era completo: com válvulas, vasos sanguíneos, ventrículos e câmaras. Isso se chama bioimpressão. 2) A edição genética é um fato.

Uma técnica conhecida pelo acrônimo CRISPR permite que trechos do genoma sejam "recortados" e "colados", à semelhança de um editor de textos, alterando as características originais do DNA. Esperava-se esse tipo de recurso fosse empregado em humanos por volta de 2050. Em janeiro, contudo, o cientista chinês He Jiankui disse que realizou tal "feito" (as aspas ficam por conta das implicações éticas de tal iniciativa).

A alteração por ele promovida teria tornado duas meninas gêmeas imunes ao vírus da aids. 3) É provável que boa parte dos bebês nascidos no ano passado estejam vivos em 2118, em pleno século XXII. Isso porque a expectativa de vida dos seres humanos está alcançando a marca dos 100 anos.

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