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17/04/2019 | Problema é o mesmo de 13 milhões de desempregados, diz Armando Castelar - valor Econômico

O pacote de "bondades" anunciado ontem para ajudar os caminhoneiros pode amenizar de forma momentânea as pressões do setor, mas não resolve o principal problema da categoria, que sofre com a falta de demanda por fretes em meio à frágil reação da atividade, apontam economistas. Com a economia aquecida, seria mais fácil para o segmento de transportes repassar o aumento de custos provocado pela alta do diesel, argumentam eles. As concessões feitas pelo governo, ainda que limitadas, foram consideradas uma sinalização ruim, por poderem encorajar outros setores a fazerem pedidos - assim como os próprios caminhoneiros, que não devem parar por aí.

Do lado da atividade, mesmo que não haja um novo bloqueio nas estradas, o ruído sobre a possibilidade de outra greve pode surtir efeito negativo, ao elevar ainda mais as incertezas em relação à retomada do Produto Interno Bruto (PIB). Coordenador da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Armando Castelar Pinheiro afirma que as medidas beneficiam os caminhoneiros, ainda que de maneira limitada, mas que o maior problema da categoria está longe de ser resolvido. "A economia continuou operando abaixo do potencial.

Os caminhoneiros têm o mesmo problema dos 13 milhões de brasileiros desempregados: falta serviço", disse. Sobre o pedido para abaixar os preços do diesel, Castelar observa que, quando existe demanda por frete, o setor consegue repassar a alta dos custos para frente. "O problema do diesel é que, como o setor não tem demanda, não consegue repassar o aumento. Os outros setores também reclamam porque não conseguem repassar a alta dos fretes." Para ele, o risco é que o clima criado com a possibilidade de outra paralisação acabe atrapalhando a retomada. O impacto negativo na atividade ocorreria por meio da confiança, diz. "Os agentes econômicos tendem a segurar investimentos."

Segundo Juan Jensen, sócio e economista da 4E Consultoria, o pacote de benefícios pode atrapalhar a discussão sobre a reforma da Previdência e além de tudo não deve satisfazer o setor, que provavelmente vai fazer novos apelos ao governo. É legítimo que os caminhoneiros tenham demandas, diz Jensen, mas linhas de crédito subsidiadas e controle dos preços do diesel nas refinarias não são meios razoáveis para atendê-las. "Num momento em que estamos discutindo a reforma previdenciária, que muda regras e acaba com privilégios, esse pacote dá um mau sinal", afirma o economista. "Todos os grupos vão se sentir no direito de pedir benefícios ao governo." Para evitar novas pressões do segmento de transporte de cargas e de outros setores, o governo deveria argumentar com os caminhoneiros que tem uma agenda de reformas que, quando implementada, vai beneficiar toda a sociedade, e não só uma categoria, afirma Joelson Sampaio, coordenador da graduação em economia da EESP-FGV. "O governo precisa fazer políticas estruturais, e não pontuais", criticou.

Mesmo tendo feito concessões, o governo lançou mão de medidas "superficiais" e insuficientes para evitar uma nova greve dos caminhoneiros, avalia Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores. A principal demanda do setor, que pede redução do preço do diesel nas bombas, não foi atendida, apontou. Sem mexer na política da Petrobras de paridade com os preços internacionais, a única alternativa seria diminuir tributos sobre o combustível, diz, decisão que não deve ser tomada num contexto de desequilíbrio fiscal.

Para Silveira, o governo Bolsonaro encontra-se, agora, em situação parecida à do ex-presidente Michel Temer (MDB) quando os caminhoneiros paralisaram as estradas em maio de 2018. Passada a colheita das safras de soja e milho no primeiro trimestre, o setor tem demanda por fretes para transportar os grãos até meados de abril, observa. Depois isso, muitos caminhoneiros estarão novamente sem trabalho, porque a recuperação da atividade não deslancha. Castelar, do Ibre, pondera que, agora, a conjuntura política é diferente, o que tende a suavizar o impacto de uma possível greve sobre a atividade econômica.

Em maio do ano passado, a popularidade de Temer estava muito baixa, o que contribuiu para que a população apoiasse a paralisação e fez com que ela durasse mais tempo, lembrou. No momento atual, com um governo recém-eleito e mais respaldado pela sociedade, caso uma greve de fato ocorresse, o efeito adverso sobre a economia tenderia a ser mais fraco do que o ocorrido em 2018, avalia Castelar. "Acho que agora o governo tem maior popularidade e legitimidade. Se houvesse uma greve agora, ela não teria a mesma dimensão e duração." 

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