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03/04/2019 | 'Brasil precisa de ações para incentivar emprego' - Valor Econômico

O Brasil tem uma grande oportunidade para começar a crescer a taxas mais elevadas, mas o governo precisa combinar medidas estruturais, como a reforma da Previdência, com ações de curto prazo para incentivar o crescimento e o emprego, diz António Bernardo, presidente da consultoria Roland Berger para a América Latina. Segundo ele, a falta de dinamismo da economia pode contaminar as expectativas de expansão da atividade num prazo mais longo, algo indesejável num cenário em que há grande interesse de investidores estrangeiros em aplicar recursos no país. "O governo deveria lançar medidas nos próximos cem dias que tenham especialmente impacto no emprego", afirma Bernardo. Para ele, os mais indicados são projetos de infraestrutura. "Tudo o que seja relacionado a trabalhos de construção, de engenharia, vai ter muito efeito no emprego de curto prazo."

O consultor português, que mora no Brasil, passa 40% de seu tempo no exterior. Nessas viagens, conversa com muitos investidores do setor produtivo e do setor financeiro. De acordo com Bernardo, eles continuam a mostrar interesse em investir no Brasil, mas é importante que haja medidas para estimular o crescimento de modo mais imediato. O consenso de mercado aponta para uma expansão ligeiramente abaixo de 2% neste ano; em janeiro, era de 2,6%. "Acredito que o governo vai ter que conciliar ações estruturais, como a reforma da Previdência e outras medidas, com aquelas mais de curto prazo", diz Bernardo. "Essas ações são nomeadamente acelerar projetos de infraestrutura."

Segundo ele, a quinta rodada de concessões de aeroportos à iniciativa privada, que arrecadou de R$ 2,4 bilhões no começo de março, correu bem. "Mas é necessário lançar outros projetos no mercado, muito dos quais já estão bem planejados." Bernardo diz que o Brasil investiu nos últimos cinco anos o equivalente a 2,2% do PIB em infraestrutura. Para ele, é necessário investir no mínimo 5% do PIB na área, o que teria grande capacidade de geração de empregos. Nos três meses até fevereiro, o desemprego ficou em 12,4% - 13,1 milhões de pessoas. Bernardo também destaca a importância de o governo tomar medidas para desenvolver o mercado de capitais.

Para ele, uma iniciativa nessa direção seria a privatização da Eletrobras, que deveria ser realizada ainda neste ano. "Eu vejo uma grande oportunidade de se criar uma operação de mercado de capitais com a Eletrobras", diz Bernardo, para quem o melhor seria fazer a privatização por meio da dispersão de capital, reduzindo a participação do governo na empresa. Cada investidor poderia ter no máximo 10% dos votos. Isso permitiria reforçar uma gestão profissional na companhia e criar "uma verdadeira corporação brasileira", avalia ele, para quem não se deveria abrir o capital de subsidiárias da Eletrobras. "Com isso, você perderia a escala." Com esse modelo, a empresa também não ficaria nas mãos de apenas um operador estrangeiro, evitando assim o risco de concentração de mercado.

A empresa, segundo Bernardo, já está preparada para a privatização. O governo poderia manter uma "golden share" na companhia, o mecanismo pelo qual manteria o poder de decisão em algumas questões estratégicas. Com o tempo, o governo poderia aproveitar a valorização da companhia e vender parte da participação que continuaria a ter na Eletrobras após a dispersão inicial de capital.

Para Bernardo, o governo poderia usar a mesma estratégia com o Banco do Brasil (BB). Outra opção, segundo ele, seria vender o BB para um banco estrangeiro, para aumentar a competição no sistema bancário do país. Nas contas da Roland Berger, as privatizações de estatais federais e estaduais podem render R$ 700 bilhões aos cofres públicos em três anos. Nesse cálculo, o controle da Petrobras não seria vendido; a estatal petrolífera se desfaria de ativos, mas manteria a presença na produção e na exploração, o que, para Bernardo, faz sentido.

As privatizações são parte importante de uma das medidas estruturais que o Brasil deve seguir para crescer a um ritmo mais elevado - a redução do Estado. "O Estado brasileiro tem uma presença muito grande na economia e em geral é uma presença que cria ineficiência", diz Bernardo, para quem o Estado deve se concentrar em áreas como educação, saúde e segurança, havendo ainda o papel crucial de regulação. E o ruído político recente, tem preocupado os investidores estrangeiros quanto à reforma da Previdência? Segundo ele, não é uma preocupação, mas criou-se alguma incerteza.

Há dúvidas se o projeto será diluído e quanto ao timing da tramitação, embora eles continuem a acreditar numa aprovação sem grande demora. A mudança do sistema de aposentadorias é considerada fundamental pelos investidores para a sustentabilidade das contas públicas, segundo Bernardo. A dívida bruta brasileira é elevada para um país emergente, aproximando-se de 80% do PIB. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a média do endividamento do bruto dos emergentes em 2019 deve ficar em 52,2% do PIB. Além da importância da reforma da Previdência para enfrentar o desequilíbrio fiscal, Bernardo destaca o papel da agenda para elevar a produtividade, vendo a equipe econômica comprometida com essas ideias.

Ele diz ser necessário aumentar a produtividade do trabalho e do capital. Bernardo afirma que a produtividade no trabalho no Brasil é de cerca de US$ 30 mil, considerando o que um trabalhador produz por ano. "No Chile, esse número é de quase US$ 54 mil, na Coreia do Sul, US$ 75 mil, e, nos EUA, US$ 112 mil." Há aí uma questão muito importante relacionada à educação, diz Bernardo, para quem o Brasil investe um volume expressivo de recursos na área - 5,6% do PIB por ano -, mas não gasta bem o dinheiro. Segundo ele, a Alemanha destina 4,3% do PIB, e os EUA, 4,7%. Um dos problemas é que o país destina pouco dinheiro para a educação básica. Na visão de Bernardo, uma medida que ajudaria a melhorar a educação seria apostar no treinamento dual, como faz a Alemanha. Pelo modelo, o estudante que sai do ensino secundário e não vai para a universidade faz cursos em que passa três dias da semana numa empresa e dois numa escola - 95% saem empregados, de acordo com ele.

Outro problema que o Brasil precisa enfrentar é a produtividade do capital, que tem a ver com o investimento. O país investe pouco - em 2018, foram apenas 15,8% do PIB. "O Brasil tem que investir 22%, 23% do PIB", diz ele, observando que o México investe 23% do PIB, e a Coreia do Sul, 30% do PIB. Bernardo aponta também a importância de uma simplificação tributária. Além disso, enfatiza a relevância de medidas para abrir mais a economia, hoje uma das mais fechadas do mundo. O país ainda tem tarifas de importação muito altas. São de 14% na média, mas em vários produtos chegam a 35%. Isso afeta a concorrência no mercado interno e tem impacto negativo sobre a produtividade, dificultando que as empresas brasileiras se integrem às cadeias globais de valor.

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