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02/04/2019 | Lucro das empresas de capital aberto sobe 42% - O Estado de S. Paulo

O lucro das 308 empresas de brasileiras com ações na Bolsa cresceu 42% em 2018 em relação ao ano anterior e somou R$ 177,5 bilhões, apesar da greve dos caminhoneiros que praticamente paralisou a economia no segundo trimestre. A taxa de crescimento do lucro foi quase o triplo da registrada em 2017 (17%), segundo estudo Economática, empresa especializada em informações financeiras.

Nessa conta não estão incluídos os resultados da Petrobrás, Eletrobrás e Oi Brasil, que tiveram fortes crescimentos do lucro no período e, por isso, distorcem os resultados. Com Petrobrás, Eletrobrás e Oi S.A., o lucro de 311 empresas em 2018 somou R$ 241,1 bilhões, ante R$ 116,5 bilhões em 2017. A alta foi de 106,8%. No ano passado, a Petrobrás voltou a ser a empresa mais lucrativa do País, com R$ 25,7 bilhões, após prejuízo de R$ 446 milhões em 2017.

Einar Rivero, gerente de Relacionamento Institucional da consultoria e responsável pelo estudo, atribui o bom desempenho do lucro em 2018 ao ajuste feito pelas empresas e também às expectativas favoráveis que se formaram, logo após a definição do cenário eleitoral.

Mesmo com a economia patinando. “O desempenho da economia não foi grande coisa em 2018, mas ainda assim houve crescimento”, diz Bruno Lavieri, economista da 4E. Segundo ele, o pequeno crescimento do PIB (1,1%), puxado pelo consumo, acabou tendo impacto positivo na receita e no lucro das companhias. “Como as empresas não estão investindo, todo o lucro acaba sendo lucro de fato e foi distribuído”, diz.

Bancos. Mais uma vez, o setor mais lucrativo foi o dos bancos. Juntas, as 22 instituições financeiras embolsaram R$ 74,6 bilhões, com crescimento de 19% sobre o ano anterior. Na avaliação de Lavieri, os bancos se saíram bem porque começaram o ajuste das carteiras de crédito antes de a crise começar. Com isso, estavam mais ajustados quando a turbulência começou.

Entre os bancos, o Itaú Unibanco foi a instituição com maior lucratividade (R$ 24,9 bilhões), seguido pelo Bradesco (R$ 19 bilhões). O que chama atenção, diz Einar, foi o desempenho do Itaú, cujo o lucro cresceu apenas 4,2%. “O ritmo de crescimento do lucro do Itaú foi aquém dos gigantes do setor.” A surpresa positiva, segundo ele, foi o Santander, que teve avanço de 52% nos ganhos.

Depois dos bancos, energia elétrica e telecomunicações foram setores que ocuparam a segunda e terceira posição entre os mais lucrativos.

No vermelho. No polo oposto, o grande destaque negativo em 2018 foi a construção civil. O setor acumulou R$ 2,83 bilhões de prejuízo, contra R$ 3 bilhões de déficit no ano anterior. O maior rombo foi registrado pela Mendes Júnior. A empresa fechou o ano passado com um rombo de R$ 1,1 bilhão. A construtora ocupou a terceira posição no ranking das companhias abertas com os maiores resultados negativos no ano passado. Quem liderou a lista foi a BRF, com prejuízo de R$ 4,4 bilhões, seguida pela Minerva (R$ 1,2 bilhão), ambas de alimentos.

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