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28/03/2019 | Maioria das empresas ainda desconhece a Agenda 2030 - Valor Econômico

Embora as Nações Unidas calculem em até US$ 7 trilhões anuais as oportunidades de negócios geradas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sendo US$ 3,9 trilhões nos países em desenvolvimento, a maioria das empresas no Brasil ainda não se engajou à Agenda 2030. A agenda é um ambicioso plano de ação voltado para a prosperidade econômica, o bem estar social e o equilíbrio ambiental, acordado entre 193 países-membros da ONU em 2015. Seus 17 objetivos contêm 169 metas a serem alcançadas até 2030. Para Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, "não caiu a ficha" entre as empresas de que a Agenda 2030 pode gerar crescimento em bases sustentáveis, por meio de tecnologias mais avançadas, inovações, mudança de matriz energética, menor exposição a riscos e antecipação a futuras precificações sociais e ambientais, como a de emissão de carbono. "Olha-se para os ODS como um peso a ser carregado, uma tarefa a mais.

Essa visão prepondera entre quem conhece a agenda. Isso sem falar na maior parte, que ainda a desconhece", afirma Magri, com base em percepções de mercado. "O fato de não haver dados sobre o grau de conhecimento e adesão das empresas brasileiras aos ODS já é um primeiro indicador de como estamos defasados", afirma. O mapeamento existente hoje se limita a uma amostra reduzida, de empresas já alinhadas com a pauta da sustentabilidade. Segundo Carlo Pereira, secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global e membro do Conselho Global do Pacto, apenas cerca de 40 empresas trabalham os ODS com certa profundidade. "E, se falarmos em implementação efetiva na estratégia de negócios, o número cai para cerca de 20", estima.

A pesquisa "Integração dos ODS na Estratégia Empresarial - 2018", feita com 142 empresas que compõem a Rede Brasil do Pacto Global, identifica que as principais motivações para aderir à Agenda 2030 se relacionam ao cumprimento do código de ética (53%), à imagem atrelada à sustentabilidade (43%) e ao cumprimento das leis (38%). "Esse resultado sugere que os fatores estão mais ligados a compliance e a riscos reputacionais, e menos a oportunidades de negócios, como acesso a capital (12%) e atração e retenção de talentos (18%)", deduz o documento. Isso mostra um descompasso, pois, segundo o consultor Aron Belinky, os ODS tornaram-se um denominador comum para investidores avaliarem a agenda de sustentabilidade das empresas na hora de decidir onde vão colocar capital. Para Magri, as empresas no Brasil ainda se movem por visões de curto prazo, o que é agravado pela longa crise econômica e política que o país atravessa. "O cenário pesa, mas os estrategistas das empresas não percebem que os ODS também são uma agenda de resiliência para enfrentar a crise?", questiona.

Ele exemplifica que o Índice Dow Jones e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 sinalizam que as empresas presentes na carteira têm uma resiliência maior em períodos críticos. Luciana Villa Nova, gerente de sustentabilidade da Natura, acrescenta que, segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG), quanto mais as empresas seguem uma agenda socioambiental voltada a seu core business, mais perenidade e valor de mercado possuem. A Natura, coordenadora do Grupo Temático (GT) dos ODS no Pacto Global, foi destaque, juntamente com o Santander, em levantamento realizado do ISE sobre aderência das empresas aos ODS. Ambos mostraram que a estratégia de negócios está conectada a 16 dos 17 ODS, com definição precisa de metas e métricas, além de análise cruzada entre os objetivos, mostrando suas inter-relações.

Um dos grandes desafios mapeados no GT é envolver as pequenas e médias empresas. "Também falta uma base estruturante em termos de políticas públicas, mas tem crescido a movimentação de base, vinda das startups, das microempresas e do Terceiro Setor", avalia Luciana. Célia Cruz, diretora-executiva do Instituto de Cidadania Empresarial, atuante no campo dos negócios e investimentos de impacto, ressalta a importância de se reportar as ações para a sociedade, para que esta possa cobrar avanços. Magri, do Ethos, vê nos ODS fenômeno similar ao dos Objetivos do Milênio, lançados no ano 2000, quando uma pressão decisiva da sociedade civil foi necessária para que a agenda tomasse corpo. "Temos de fazer a mesma coisa agora. A responsabilidade é de todos nós, organizações que representam as empresas, as federações de indústrias e as entidades setoriais", diz.

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