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08/03/2019 | Pressionado, Bolsonaro defende reforma da Previdência - O Estado de S. Paulo

Pressionado a ter um posicionamento mais firme em relação à reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro saiu ontem a campo em defesa da proposta e da inclusão dos militares nas mudanças das regras de aposentadoria.

A cobrança para que Bolsonaro assuma o papel de protagonista da reforma aumentou depois que ele publicou na sua conta do Twitter um vídeo com imagens pornográficas gravadas durante o carnaval. A publicação do vídeo, que gerou críticas até mesmo entre aliados, foi logo interpretada como um desvio de foco grave do presidente na defesa da reforma, considerada a principal proposta do seu governo e tida como fundamental para fazer a economia deslanchar.

A Bolsa passou a maior parte do dia em terreno negativo e o dólar subiu, em reação aos sinais contraditórios do presidente. A resposta de Bolsonaro veio também pelas redes sociais. No fim do dia, ele fez uma live (transmissão de vídeo no Facebook), ao lado do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, para mostrar que a reforma desenhada por sua equipe é necessária. Ele foi aconselhado por auxiliares a voltar suas baterias para agenda econômica. “Sabemos que ela desagrada a algumas pessoas, sim, mas vamos combater os privilégios e vamos colocar o Brasil no rumo do crescimento”, afirmou. O presidente disse esperar que o texto não seja muito desidratado para que atinja o seu objetivo e “sobrem recursos para nós investirmos em emprego, segurança, saúde, educação”.

Desde que a proposta foi enviada ao Congresso, no dia 20 de fevereiro, Bolsonaro tinha feito poucas mensagens de apoio ao texto. Deputados defensores da reforma chegaram a reclamar com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, da pouca dedicação do presidente nas redes – o esperado era que ele fosse o “garoto propaganda” da reforma. O ruído em torno do vídeo no carnaval só aumentou o descontentamento da base.

Tuítes. Pouco antes da live, o presidente já havia se manifestado em seu perfil no Twitter sobre a aprovação da reforma da Previdência em uma série de tuítes, dizendo que ela segue os padrões mundiais e combaterá privilégios. “Foi pensando na importância disso que nosso time econômico elaborou um modelo de previdência que segue os padrões mundiais, que combate privilégios como aposentadoria especial para políticos, que cobra menos dos mais pobres, e que incluirá todos, inclusive militares. Seguimos!”

Depois dos tuítes (que foram seguidos da publicação de trecho do pronunciamento do presidente no dia do envio do projeto ao Congresso), a Bolsa passou a subir e fechou em alta de 0,13%.

Antes das postagens de ontem, de 1.º de janeiro até terçafeira passada, das 515 mensagens publicadas pelo presidente, apenas em cinco delas, a reforma da Previdência foi abordada, o equivalente a menos de 1% das mensagens, conforme publicou o Estado.

Militares. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o desconforto do presidente em relação à reforma continua relacionado aos militares. Ele busca costurar uma saída para incluir no projeto de lei (PL) regras para aumentar a remuneração dos militares. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e integrantes da área econômica avaliam que não é uma boa estratégia enviar o PL com o aumento salarial. O presidente quer esperar até o dia 20 de março para enviar o projeto e ter mais tempo até lá para negociar uma saída para o impasse.

No Rio, durante cerimônia dos 211 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, o presidente disse que os militares serão incluídos, mas não deu detalhes. Ele tem conversado sobre o tema com deputados para medir a temperatura do Congresso. “O PL dos militares precisa chegar ao Congresso. Só isso”, disse o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), que descartou impacto do ruído do vídeo na reforma. Outro ponto de desgaste tem sido a escolha da relatoria, disputada pelos aliados.

Para o deputado Paulo Ganime (Novo-RJ), que vai cuidar da proposta no partido, o presidente precisa se engajar mais na reforma, não bastando apenas um dia de manifestação nas redes sociais. “Ele tem de fazer lives todos os dias para explicar a proposta”, disse Ganime.

O cientista político Murillo Aragão, da Arko Advice, avaliou que as negociações vão começar mesmo na terça-feira. Segundo ele, o governo está 100% comprometido com a reforma, mas precisará melhorar a comunicação e a articulação

Rumo “Sabemos que ela desagrada a algumas pessoas, sim, mas vamos combater privilégios e vamos colocar o Brasil no rumo do crescimento.” Jair Bolsonaro PRESIDENTE

“O PL dos militares precisa chegar ao Congresso.” Mauro Benevides Filho DEPUTADO PDT-CE

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