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08/03/2019 | PIB pode vir mais fraco, mas quadro é positivo, afirma economista do UBS - Valor Econômico

O crescimento da economia neste ano pode ser menor do que era esperado, mas o quadro desenhado pela retomada é positivo, segundo Fabio Ramos, economista do UBS. A aceleração em relação a 2018 e a forma que esse crescimento vem tomando são tão importantes quanto a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019. A estimativa do banco suíço é de expansão de 2,8%. "Talvez não dê tempo de crescer isso", diz, a respeito da projeção. "É claro que dá para discutir se o crescimento será de 1,5%, 2% 2,5% ou 3%. Tem uma variação enorme. Mas qualquer um desses números é maior do que o do ano passado", diz, sobre a expansão de 1,1% do PIB em 2018.

O UBS está na ponta otimista das projeções. Nas duas últimas semanas, a projeção mediana do mercado para o crescimento deste ano passou de 2,6% para 2,3%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central (BC). Ramos admite que por enquanto a retomada está "muito lenta", além de desigual. Um exemplo são os serviços. Aqueles que são prestados às empresas, como manutenção, transporte, segurança e telecomunicações, "apanharam uma barbaridade" durante a crise e encontram dificuldade para se recuperar. Já os serviços para as famílias "estão crescendo razoavelmente". "É preciso lembrar que entre o terceiro e o quarto trimestres de 2017 a previsão para o crescimento do PIB em 2018 era algo em torno de 3%. Agora, para 2019, se espera o mesmo. A impressão é que a gente fica empurrando uma recuperação mais intensa", diz o economista. "Mas, à medida que a economia crescer por um período maior, as coisas devem ficar mais alinhadas. Ainda que o PIB não acelere de maneira brutal, a tendência é que haja uma convergência maior entre os setores, o que é mais saudável."

Na quinta-feira da semana passada, mesmo dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do PIB de 2018, o Ministério da Economia mostrou que foram criadas apenas 34 mil vagas formais de trabalho em janeiro. A estimativa média das instituições financeiras e consultorias ouvidos pelo Valor Data indicava a criação de 82 mil postos. O dado representa também menos da metade das 77,8 mil vagas geradas em janeiro do ano passado. "Foi um número fraco. O mercado formal estava vindo em uma toada boa", diz. Outra má notícia é que a alta de 1,1% do PIB em 2018 deixou uma herança estatística de apenas 0,4% para este ano. Isso significa que, se a atividade permanecer durante todo 2019 no mesmo patamar do último trimestre do ano passado, o crescimento anual será de 0,4%. "Os números do quarto trimestre especificamente puxaram demais" o PIB anual para baixo. "Isso tem uma ligação [negativa] com 2019" afirma Ramos.

No entanto, mesmo com todas as dificuldades, já há sinais de que a atividade está ganhando um pouco mais de força. O Índice Gerente de Compras (PMI) do Brasil, por exemplo, mostra um desempenho melhor do que o de outros países, segundo Ramos. "E ele é calculado da mesma maneira em todos os lugares", diz. Além disso, afirma ele, "quando pegamos a abertura do PIB, há partes que vieram muito melhores" do que o resultado fechado. Ramos cita como exemplo o desempenho do consumo das famílias e dos investimentos, componentes da demanda doméstica, que juntos tiveram alta de 2,3%. "O core [núcleo] do PIB veio mais forte." Por sua vez, a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas, equipamentos, construção civil e pesquisa) deve ficar "pouco aquém dos dois dígitos" em 2019, depois de crescer 4,1% no ano passado.

Ramos lembra que os investimentos estão aproximadamente 25% abaixo do patamar registrado em 2013, o que favorece uma alta mais forte neste ano. O economista também rebate um argumento comum, segundo o qual a grande capacidade ociosa da indústria impedirá a expansão da FBCF. "Os investimentos são pró-cíclicos" e respondem com rapidez à atividade, afirma. "Quando a economia está em crise, o empresário desliga a máquina e ela já deixou de funcionar", diz. "Na alta, ele precisa consertar aquela máquina, que está ruim, quebrada, e a manutenção conta como investimento." Os indicadores de confiança também têm dado sinais positivos, principalmente os da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que estão "muito melhores", e os da Fundação Getulio Vargas (FGV), que estão "um pouco melhores".

O economista também afirma que a política monetária está em patamar estimulativo, sem necessidade de novos cortes da Selic, atualmente em 6,5%. "O momento é de acompanhar, não de tomar decisões esbaforidas", diz. "O hiato do produto [medida de ociosidade da economia] pode estar em 2 pontos percentuais, 4 pontos ou 6 pontos, mas está mais fechado do que estava há um, dois ou três anos." Como é disseminado entre os analistas, o cenário do UBS depende da aprovação de uma reforma da Previdência. Nos cálculos de Ramos, é preciso que a economia seja de pelo menos R$ 700 bilhões em dez anos. "Daí para cima", diz. A tendência, de acordo com ele, é que, conforme a tramitação da reforma avance, as condições financeiras deem o impulso que falta para a atividade. Três variáveis principais devem fazer a diferença "de forma acelerada". "Bolsa para cima, câmbio apreciado e juros futuros ainda em queda, ou pelo menos tão baixos quanto no nível atual", afirma. No Brasil, "a discussão atual é só Previdência, Previdência, Previdência. Nada mais anda. Isso faz as empresas adiarem investimentos ou contratações e as famílias adiarem a compra de uma casa ou a troca de carro". Já o investidor estrangeiro, "quando pensa em colocar dinheiro no Brasil, seja em uma fábrica, seja na bolsa, analisa se o governo será solvente à frente ou não". Para esse grupo, "a reforma simboliza no fundo se o governo está funcionando ou não".

Mas, ainda que a retomada ganhe força, não serão todos que sentirão seus benefícios. "O desemprego está caindo mais lentamente do que era esperado", segundo Ramos. Ele destaca que o simples crescimento anual da população já aumenta o número de pessoas no mercado de trabalho em 0,8%. "Além disso, gente que tinha desistido de procurar emprego está com mais confiança e voltou a procurar", diz. Esses dois fenômenos empurram a taxa de desemprego para cima. "O Brasil está com dificuldades para gerar um número de empregos que compense o crescimento da população e os entrantes no mercado de trabalho", afirma. Mesmo assim, Ramos vê de maneira positiva a recuperação da atividade, que já dura dois anos. "A retomada é um processo mais de sucessos do que de fracassos. A economia está aos trancos e barrancos, mas melhorando", diz o especialista. 

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