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01/03/2019 | 'Economia está devagar e BC deveria cortar juro' - valor Econômico

Os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados ontem pelo IBGE confirmam que a recuperação da economia brasileira é tênue e, diante de dados também fracos de inflação, o Banco Central já deveria ter começado a reduzir os juros. A avaliação é de Sergio Werlang, professor e assessor da presidência da Fundação Getulio Vargas (FGV). "A economia está muito devagar e dá pra cortar com tranquilidade", disse, em entrevista ao Valor. Ex-diretor de Política Econômica do BC e um dos introdutores do regime de metas de inflação no Brasil, Werlang vê espaço para flexibilização monetária mesmo que a reforma da Previdência não saia do papel. Isso porque há sinais de que a taxa estrutural de juros, que permite a economia crescer sem pressões inflacionárias, estaria menor hoje. "Não há dúvidas de que a taxa de juros atual não é estimulativa, dadas as condições de curto prazo da economia brasileira." Para o ex-diretor do BC, a Selic poderia chegar a 5,5% ao ano antes mesmo do fim de 2019. Hoje, a taxa está em 6,5%. Se houver estímulo monetário e se o Congresso aprovar uma reforma previdenciária "robusta" do ponto de vista fiscal, o PIB pode crescer cerca de 2% neste ano, afirma, sinalizando uma taxa maior em 2020. Confira os principais trechos da entrevista:

Valor: Como o sr. avalia os resultados do PIB do quarto trimestre e de 2018?

Sergio Werlang: Em primeiro lugar, a economia pode indicar que a taxa de juros tem espaço para cair mais. Os cálculos da taxa de juro estrutural dependem de médias históricas e do que aconteceu no passado, mas, do fim de 2018 para frente, notamos uma restrição razoável na expansão de gastos governamentais. É possível que no curto prazo a taxa de juros estrutural da economia tenha caído um pouco. Então isso seria indicativo de cortes adicionais da Selic. A segunda observação é que a economia brasileira está em recuperação muito frágil porque tudo depende da estabilização fiscal a médio e longo prazo e, enquanto não tivermos a aprovação de uma boa reforma da Previdência e muitas outras medidas que incluam várias privatizações e reorganização de gastos do governo federal e de Estados e municípios, teremos uma recuperação muito tênue, que não está completa.

Valor: Quais seriam os indícios de que a taxa estrutural de juros caiu?

]Werlang: A média de crescimento do segundo e terceiro trimestres do ano passado foi de 0,25% por trimestre, ante o trimestre anterior [após revisão do IBGE]. Agora o PIB cresceu 0,1% no quarto trimestre. Não há dúvidas de que a taxa de juros atual não é estimulativa, dadas as condições de curto prazo da economia. Aparentemente 6,5% ao ano ainda é elevado para o nível de inflação que temos e para a estrutura de demanda que a economia mostra no curto prazo.

Valor: Até que nível a Selic poderia cair e em que ritmo? 

Valor: Até que nível a Selic poderia cair, e em que ritmo?

Werlang: Não fiz uma conta específica, mas acho que poderia ir até uns 5,5% ao ano. Não precisa ser de uma hora para outra, mas indicando cortes adicionais da taxa. Inclusive porque a inflação está muito baixa. Em uma média de seis meses, a inflação está abaixo do piso da banda. Esse patamar de 5,5% do juro poderia ser atingido já antes do fim do ano. Acho que dá pra cortar em três vezes - um corte de 0,5 ponto, dois de 0,25 ponto, ou dois cortes de 0,5 ponto. Não precisava esperar muito, não. Acho que a economia está muito devagar e dá pra cortar com tranquilidade.

Valor: O BC já deveria ter deixado mais claro em suas comunicações que pode estar preparando o caminho para um corte?

Werlang: Tenho essa posição há um mês. Já deveria ter cortado. Mas a vantagem do sistema de metas é que dá para mudar de ideia. Valor: Uma redução na taxa Selic em 2019 não traz o risco de estimular demais a economia e, depois, fazer com que o BC tenha que corrigir a rota?

Werlang: Essa é a beleza do sistema de metas para inflação. Se isso acontecer, vai aparecer nos dados e o BC aumenta a Selic de novo, pronto. Nada diz que você tem que deixar a Selic lá embaixo, não está escrito em pedra. Valor: Uma mudança brusca não pode ser mal vista pelo mercado, que sempre critica quando o BC toma uma decisão que não estava bem sinalizada?

Werlang: As pessoas que criticam, normalmente criticam porque têm opiniões diferentes. Mas, se o pessoal do BC estiver convencido de que isso é o certo, é o que deve fazer. Valor: Existe uma percepção no mercado de que, sempre que há mudança na presidência do BC, quem assume o cargo adota uma postura mais conservadora. Qual a expectativa para a gestão de Roberto Campos Neto?

Werlang: Não concordo com essa visão de jeito nenhum. Não vejo por que um novo presidente do Banco Central precisa ser conservador. Inclusive a diretoria é praticamente a mesma. O novo colegiado do Copom tem que ter a atitude mais adequada aos dados que a conjuntura econômica está mostrando. A conjuntura está mostrando que a economia não está se recuperando, de modo que me parece justificável que haja cortes na taxa de juros.

Valor: O ambiente externo é favorável para um corte?

Werlang: É bem razoável. O Fed [Federal Reserve, o banco central americano] já anunciou que será paciente na subida dos juros. O ambiente internacional está bom, estamos com reservas internacionais muito confortáveis, o risco-Brasil está caindo, e aqui dentro tudo indica que vamos ter uma reforma da Previdência bastante robusta do ponto de vista fiscal, o que conta muito positivamente para isso.

Valor: O sr. está otimista com a proposta de reforma de Previdência apresentada?

Werlang: Estou bastante otimista. Claro que os parlamentares vão dar a contribuição deles, mas pela primeira vez temos uma reforma que ataca pontos essenciais. Temos não só que aumentar a idade mínima, mas também tornar isso mais ou menos automático. Quanto mais longa fica a vida do brasileiro, tem que obviamente estender também o tempo de aposentadoria. Também é preciso acabar com os privilégios. Não faz sentido o Brasil ter uma classe privilegiada de aposentados com recursos públicos. Quem quer ter mais aposentadoria que faça suas poupanças privadas.

Valor: Como o sr. vê as chances de aprovação do projeto? A crise política pode atrapalhar a tramitação no Congresso?

Werlang: Não sou a melhor pessoa para dar opinião sobre esse assunto, mas a minha visão é que hoje estamos num ponto favorável. Claro que coisas aqui e ali vão demandar ajustes, mas acho a chance de aprovação bastante boa e, sinceramente, não tem alternativa. Se não passar uma reforma muito robusta, vamos ver a volta da inflação, a pior de todas as políticas de taxação, que afeta justamente aqueles que não têm acesso ao setor financeiro: a camada mais necessitada da população. 

Valor: A reforma seria o principal impulso para o crescimento econômico previsto para este ano?

Werlang: Não tenho dúvida nenhuma, vai ser o principal impulso para tudo na economia. Claro, no curto prazo, se o Banco Central começar a diminuir a taxa de juros, ele ajuda a recuperação, mas não será uma recuperação de longo prazo, será apenas momentânea.

Valor: O BC tem espaço para reduzir os juros independentemente da aprovação da Previdência?

Werlang: Já defendi isso antes da última reunião do Copom. Já achava que tinha espaço lá e continuo achando.

Valor: 2019 mal começou e as expectativas de expansão da atividade já estão sendo ajustadas para baixo. O que é possível esperar para o PIB deste ano?

Werlang: Espero um crescimento maior que o do ano passado. Para isso, é fundamental que a reforma da Previdência seja aprovada e acho que o BC vai cortar juros. Tendo em vista isso, podemos crescer fácil na faixa de 2%, mais ou menos o dobro do que foi 2018, sinalizando mais para o fim do ano um crescimento mais elevado para 2020.

Valor: Se tudo correr dentro do esperado, qual pode ser o crescimento no próximo ano?

Werlang: Um número na faixa de 3% daria tranquilo.

Valor: As outras agendas defendidas durante a campanha, como a simplificação tributária e privatizações, parecem ter sido deixadas em segundo plano pelo governo. Essas medidas não seriam tão fundamentais quanto mudar a Previdência para o crescimento?

Werlang: Não são tão fundamentais quanto a reforma da Previdência, que é um divisor de águas. Sem a reforma, não adianta fazer mais nada porque não vai ter sustentabilidade de longo prazo na economia brasileira e a inflação será a resposta. Primeiro temos que garantir essa sustentabilidade. O governo está 100% certo na estratégia de focar todos seus esforços na reforma.

Valor: Qual sua avaliação sobre os dois primeiros meses do governo Bolsonaro?

Werlang: Na área econômica, está bastante bem. Conseguiu colocar em pé uma reforma da Previdência, e já começa com uma base relativamente grande em relação à última lei que se tentou aprovar no governo anterior. A opinião pública já está quase meio a meio em relação à reforma previdenciária, mesmo com as poucas explicações que já foram dadas, segundo uma pesquisa que vi nesta semana. Estamos num período muito favorável para a área econômica e a avaliação é a melhor possível. 

 

 

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