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06/02/2019 | Desalento - O Estado de S. Paulo

Ainda levará muitos anos até que o Brasil se recupere por completo do desastre que foi a passagem de Dilma Rousseff pela Presidência da República. À medida que o tempo passa e mais indicadores econômicos que refletem sua inépcia são divulgados, fica evidente que a cassação da ex-presidente foi uma das melhores coisas que poderiam ter ocorrido no País, não só para apear do poder uma mandatária que violou a lei, como também para conter seu ímpeto de produzir danos político-administrativos.

Não é outra a conclusão a que se pode chegar após a leitura da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, do terceiro trimestre de 2014 até o terceiro trimestre de 2018, cresceu cerca de 300% o número de pessoas mais escolarizadas - as que estudaram por dez anos ou mais (o equivalente a ter ao menos iniciado o ensino médio) - que integram a faixa dos “desalentados”, ou seja, desempregados que simplesmente pararam de buscar trabalho por achar que não vão encontrar uma vaga de acordo com sua formação ou expectativas de remuneração.

No terceiro trimestre de 2014, o grupo de desalentados com melhor formação era composto por 394 mil pessoas. Quatro anos depois, o número saltou para 1,66 milhão de pessoas, o que representa 35% do total de desalentados. Em 2012, ano em que a Pnad Contínua começou a ser realizada, os trabalhadores com maior formação educacional representavam 26% dos desalentados.

Há total correlação entre o aumento de desalentados mais escolarizados e a crise econômica produzida pelo governo da presidente cassada Dilma Rousseff. De acordo com dados do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getúlio Vargas, entre abril de 2014 e dezembro de 2016 foram registradas quedas ininterruptas do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a pior recessão desde 1992, que fechou milhares de postos de trabalho no País. Em 2017 o País voltou a crescer, ainda que timidamente, mas não o bastante para absorver a mão de obra que fora dispensada no período mais grave da crise.

Especialistas ouvidos pelo Estado disseram que, em boa medida, o desânimo dos desempregados com maior formação educacional se deve ao aumento paulatino da oferta de vagas para posições que exigem menor escolaridade e, portanto, pagam os menores salários, cenário típico do final de um período recessivo. A taxa de desemprego caiu de 13,1% no início de 2018 para 11,6% em dezembro passado justamente pelo aumento da oferta de vagas para aquelas posições de menor remuneração, o que não atrai os desalentados com maior escolaridade. “São pessoas mais qualificadas e com padrão de vida melhor que, em determinado momento, desistiram de procurar emprego”, disse Bruno Ottoni, da IDados, consultoria responsável por compilar os dados da Pnad Contínua.

Não é nada auspicioso para o futuro do País ter uma parte de sua força de trabalho mais qualificada fora do mercado. São muitos os resultados que daí podem advir, nenhum dos quais alvissareiro. Essa massa de trabalhadores desocupados pode permanecer como está, vale dizer, alheia ao mercado de trabalho, vivendo de possíveis economias que possa ter amealhado nos anos de emprego - finitas, portanto -, pode decidir sair do País ou simplesmente se sujeitar a ocupar posições de menor grau de exigência e remuneração, um subaproveitamento que não a beneficia e tampouco o País.

O aumento do desalento de pessoas mais qualificadas é mais um eloquente sinal de alerta para a premência da aprovação das reformas estruturantes de que o País tanto precisa - especialmente a reforma da Previdência - para voltar aos trilhos do crescimento econômico e da geração de emprego e renda. Este é o maior desafio do presidente Jair Bolsonaro e do Congresso Nacional. Quanto mais entrosados os Poderes Executivo e Legislativo estiverem quanto à prioridade da agenda econômica sobre outras pautas menos urgentes, tanto melhor para o Brasil.

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