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24/01/2019 | Vaga formal volta ao positivo, mas 2019 ainda deve ser difícil - Valor Econômico

Após três anos de retração em meio à crise econômica do país, o mercado de trabalho brasileiro terminou 2018 com uma expansão no número de vagas formais. Mesmo com o fechamento de 334,5 mil postos em dezembro, quando tradicionalmente o saldo é negativo, o crescimento na maior parte do ano garantiu um saldo positivo de 529,6 mil postos de janeiro a dezembro. A avaliação do governo é que as contratações foram impulsionadas principalmente pela melhora na atividade econômica. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério da Economia, mostra uma reversão na trajetória do emprego formal, já que nos três anos anteriores o saldo foi negativo. Em 2015, houve eliminação de 1,5 milhão de vagas. Em 2016, de 1,3 milhão de postos. E, em 2017, o resultado ficou mais próximo ao equilíbrio - mas ainda com corte de 11,9 mil posições. Considerando os três anos, o país fechou 2,8 milhões de vagas.

O secretário do Trabalho e Previdência, Rogério Marinho, afirmou que a inflexão de 2018 acontece após um período marcado por erros em políticas econômicas que, segundo ele, precisam ser "esquecidos". A retomada é observada de maneira mais contínua desde abril de 2017. "Equívocos podem gerar transtornos e prejuízos que o Brasil não pode continuar a suportar. Esses erros não podem se repetir no futuro", disse em declaração à imprensa sobre os números. Apesar do crescimento em sete dos oito setores econômicos divididos pelo Caged, a análise dos dados mostra que a expansão está concentrada em serviços e comércio - que, juntos, representaram 94% do saldo líquido do ano (foram abertas 398, 6 mil e 102 mil vagas, respectivamente). As demais áreas analisadas mostraram um crescimento bem mais tímido. São elas construção civil (18 mil vagas), serviços industriais de utilidade pública (7,8 mil vagas), agricultura (3, 2 mil vagas), indústria (2,6 mil postos) e extrativo mineral (1,5 mil). Só a administração pública registrou recuo, com corte de 4,2 mil postos. Segundo Marinho, o governo pretende retirar trabalhadores da informalidade.

Mesmo assim, ele disse que é preciso "diminuir as diferenças entre o mercado formal e informal". O secretário afirmou que o objetivo é buscar reduzir a "tutela" do Estado na relação entre público e privado, além de "desburocratizar" e "facilitar a vida dos que querem empreender no Brasil". O presidente Jair Bolsonaro já chegou a apresentar a ideia da criar uma nova carteira de trabalho, "verde e amarela", que teria regras mais flexíveis e garantiria apenas direitos previstos na Constituição - como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Mas o secretário não chegou a comentar a questão. Para Marinho, é preciso buscar medidas considerando trabalhadores que não estão protegidos pelas lei trabalhista. "O modelo tradicional com carteira assinada, da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], é importante. Mas precisamos olhar trabalhadores de outras modalidades", disse citando o trabalho em aplicativos de transporte como exemplo. O secretário afirmou que os números de 2018 poderiam ser ainda maiores não fosse a greve dos caminhoneiros, em maio, que impactou a produção industrial e, em consequência, a atividade econômica. Mesmo assim, o ano de 2018 ficou acima da expectativa média do mercado, de mais 436 mil postos. Na divisão por regiões, o mercado de trabalho permanece com dados desiguais.

O Sudeste puxou a criação de vagas em 2018 com um saldo líquido positivo de 251,7 mil postos no ano. Em seguida, ficaram Sul (criação de 102,2 mil postos), Nordeste (80,6 mil vagas), Centro-Oeste (66,8 mil postos) e Norte (28,2 mil postos). Os dados do Caged também continuam registrando um baixo avanço dos rendimentos do trabalhador brasileiro. Em todo o país, o salário médio real de admissão foi de R$ 1.531,28 em dezembro. Já o salário médio de desligamento foi de R$ 1.729,51. Em termos reais, houve aumento o real de 0,21% para o salário médio de admissão e perda real de 1,39% para o salário de desligamento. O secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Silva Dalcolmo, afirmou que os dados de rendimentos estão ligados à ainda grande massa de desempregados no país. Segundo ele, a retomada da atividade e o crescimento da economia devem fazer com que indicadores como esse comecem a registrar melhora. Para analistas, o resultado de 2019 deve continuar na trajetória de expansão, mas ainda distante do desempenho do início da década. Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, diz que a projeção preliminar da casa é a criação de 850 mil postos neste ano. "Ainda vai ser um ano difícil, mas essa aceleração da atividade vai permitir a continuidade de melhora no mercado de trabalho", afirma Xavier.

Segundo Xavier, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 2% em 2019, depois de ter provavelmente crescido 1,2% no ano passado, o que explica a maior absorção de trabalhadores. Tal cenário contempla o encaminhamento até o primeiro semestre da reforma da Previdência. Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e da consultoria iDados, espera aceleração no ritmo de criação de empregos para algo em torno de 700 mil a 800 mil vagas formais neste ano. O pesquisador lembra que o saldo positivo do emprego é muito aquém do que seria necessário para recompor a destruição de vagas durante a recessão. Pelo Caged, o Brasil encerrou 2018 com 38,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, cerca de 2,3 milhões a menos do que no pico, de 40,7 milhões, registrado em dezembro de 2014. 

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