• Pontaria Novo Governo
  • BOLETOS ON-LINE
  • coffee news mudou para melhor
  • sindeprestem 2018
  • CONTRIBUIÇÃO PATRONAL 2018

21/01/2019 | Dívida das empresas cai 17,7%, mas investimento ainda deve demorar - O Estado de S. Paulo

Depois de sobreviverem à recessão que fez a economia encolher 8% em 2015 e 2016, as empresas brasileiras chegaram ao fim de 2018 menos endividadas – resultado de reestruturações, venda de ativos e renegociação de débitos. De 2015 para cá, as dívidas das empresas listadas na Bolsa paulista caíram 17,7%, para R$ 885 bilhões (até setembro passado), segundo dados da consultoria Economática. O movimento foi puxado por Petrobrás e Vale. Com a recuperação esperada para 2019, a expectativa de analistas é que outras empresas consigam reduzir o endividamento de forma significativa este ano.

 

Com a retomada, mesmo que discreta da economia em 2017 e 2018, as companhias não apenas conseguiram reduzir o endividamento total, como ampliaram a capacidade de pagar as dívidas que ainda restam. Parte dessas empresas conseguiu alongar suas dívidas por meio de renegociações com credores e venda de ativos, reforçando seu caixa. Os dados da Economática compilam 267 empresas listadas na Bolsa, que somaram faturamento líquido de R$ 1,4 trilhão nos nove primeiros meses de 2018.

 

Segundo o diretor da agência de risco S&P Global, Diego Ocampo, as companhias hoje estão com uma posição financeira “mais sólida”. Com a geração de caixa atual, elas levariam, em média, 2,7 anos para pagar suas dívidas, mostra um levantamento da agência. Há dois anos, o índice era de 2,99 – ou seja, o risco de calote era maior.

 

A mudança no perfil de endividamento, no entanto, não deve se converter imediatamente numa retomada de investimentos, tanto pela posição mais cautelosa das empresas quanto pela capacidade ociosa – herança da recessão prolongada. “Embora as empresas estejam em um momento ‘pé no chão’, algum investimento será necessário para recuperar a capacidade ociosa. Será um processo gradual”, diz Eduardo Seixas, diretor da consultoria Alvarez & Marsal.

 

Trabalho a fazer. Apesar da melhora no perfil da dívida, os dados da Economática mostram que, quando Petrobrás e Vale são excluídas da conta, os débitos de todas as empresas listadas na Bolsa brasileira somavam R$ 550 bilhões em setembro de 2018 – queda de apenas 2,5% em três anos. Isso, segundo analistas, mostra a necessidade de as companhias seguirem atentas ao endividamento, principalmente em meio ao processo de retomada de investimentos.

 

Segundo Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da Economática, as dívidas não caíram mais no último ano por causa do efeito do dólar, que subiu 17% de janeiro a setembro. Ele ressalta ainda que o tamanho dos débitos não é necessariamente um problema para as empresas – desde que sejam bem administrados.

 

A busca pela redução do endividamento continuará sendo tarefa prioritária de grandes empresas brasileiras em 2019. Além de pedir mais prazo para bancos e credores, corporações que antes focavam a expansão dos negócios – mesmo que à custa de mais endividamento – deram início a um plano agressivo de venda de ativos para melhorar a rentabilidade. A tendência deve ser notada na maioria das dez companhias mais endividadas do País, grupo que viu suas obrigações crescerem 8,1% entre setembro de 2015 e setembro de 2018, para R$ 219,8 bilhões, segundo a Economática.

 

A retomada da economia no ano passado, apesar de lenta, já começou a se refletir no balanço das companhias, segundo Carlos Sequeira, analista do BTG Pactual. “À medida que a economia se recupera, essas empresas podem reduzir sua capacidade ociosa”, afirma. Para o diretor da área de grandes empresas do Bradesco BBI, Carlos Pedras, a perspectiva de retomada do consumo pode reforçar o caixa das empresas em 2019. “Os investimentos poderão ser retomados aos poucos.”

 

Alimentos. Das dez maiores empresas endividadas, excluindo Petrobrás e Vale, as companhias de alimentos concentram o maior débito. A gigante dos alimentos BRF, dona de Sadia e Perdigão, viu sua dívida quase triplicar em três anos (veja quadro acima). O resultado é reflexo da crise de gestão que ficou transparente a partir de 2017, quando a empresa reportou o primeiro prejuízo de sua história. Para virar o jogo, a BRF anunciou um plano de desinvestimentos de R$ 5 bilhões.

 

Segundo Lorival Luz, chefe de operações globais da BRF, além de vender operações na Argentina, na Europa, na Tailândia e imóveis, a companhia estruturou captação de R$ 875 milhões no mercado financeiro.

 

A Marfrig foi pelo mesmo caminho. A companhia usou parte do dinheiro da venda da americana Keystone – US$ 2,4 bilhões – para reduzir sua alavancagem. A dívida líquida caiu para 2,5 vezes a geração de caixa (medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações – Ebitda).

 

Líder global em carne bovina, a JBS encerrou setembro com o maior endividamento do setor, de R$ 49,5 bilhões. Embora a dívida tenha crescido no período, a alavancagem caiu de 3,45 para 2,99 vezes no resultado em reais. Entre o segundo trimestre de 2017 e o terceiro trimestre de 2018, o grupo pagou US$ 4,3 bilhões em dívidas.

 

Afetadas pela crise global do aço, com excesso de produção, as siderúrgicas também foram atingidas em cheio pela recessão. A Gerdau saiu de negócios nos EUA e Índia, reduzindo seu endividamento em R$ 6,1 bilhões. Na CSN, a situação é mais delicada. Com dívidas de R$ 26,2 bilhões, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch conseguiu vender uma operação pequena nos EUA e agora quer se desfazer de ativos na Europa.

 

Infraestrutura. Outro setor que ainda luta para se recuperar é o de energia elétrica. A Cemig diz ter enfrentado uma “tempestade perfeita”: sofreu com investimentos malsucedidos, distribuição exagerada de dividendos e mudanças de regras no governo Dilma Rousseff, diz o diretor de finanças e relações com investidores da empresa, Maurício Fernandes.

Segundo o executivo, desde o fim de 2017 a empresa conseguiu alongar seu perfil de dívida, com captações de recursos no Brasil e no exterior. A Cemig agora tem três ativos na fila do desinvestimento: a Renova, a usina Santo Antônio e a Light, que chegou a ser negociada com a gestora GP.

 

A CPFL Energia destacou, em nota, a redução de seu endividamento – que, no terceiro trimestre de 2018, ficou em 2,92 vezes o Ebitda. No mesmo período de 2017, era 3,24 vezes. A estatal Eletrobrás diz perseguir a meta de 3 vezes a relação entre dívida e Ebitda. No terceiro trimestre, o índice chegou a 3,3 vezes, ante 8,8 vezes em junho de 2016.

 

A concessionária CCR afirma que o aumento de sua dívida está relacionado a investimentos feitos entre 2013 e 2018, que somaram R$ 17,5 bilhões. A Braskem diz, em nota, que a redução de seu endividamento de 2015 a 2018 decorre de sua forte geração de caixa, incluindo a entrada em operação do Complexo Petroquímico do México.

Fatos e Notícias

Home Logo01
Home Logo02
Home Logo03
Home Logo04
Catho
Up Plan Logo 02